terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

S. Margarida Maria, ora pro nobis!



Dos escritos autobiográficos de S. Margarida-Maria Alacoque:

«Comecei então a olhar para o mundo e a adornar-me para lhe agradar, procurando divertir-me quanto podia. Mas Vós, ó meu Deus, Vós sois a única testemunha da grandeza e duração da luta espantosa que eu sofria dentro de mim. Nela teria mil e mil vezes sucumbido, se não fosse o auxílio extraordinário da Vossa misericordiosa bondade, cujos desígnios eram muitos diferentes dos que eu ideava no meu coração. Vós me fizestes conhecer bem, nesta batalha como em muitas outras, quão duro e difícil havia de ser o recalcitrar contra o potente aguilhão do Vosso amor, embora a minha malícia e infidelidade me levassem a empregar todas as forças para lhe resistir, e extinguir em mim todos os seus influxos. Mas foi em vão; porque no meio das companhias e divertimentos, me arrojáveis setas tão ardentes, que trespassavam e consumiam o meu coração; e a dor, que sentia, punha-me inteiramente fora de mim.

E não bastando ainda isto a um coração tão ingrato como o meu para o fazer desisir, sentia-me atada e como arrastada à força de cordas, tão fortemente, que por fim era obrigada a seguir aquele Senhor, que me chamava a algum lugar secreto e me dava severas repreensões, porque tinha zelos do meu miserável coração, que sofria perseguições espantosas. E depois de Lhe ter pedido perdão prostrada de face por terra, mandava-me tomar uma longa e áspera disciplina. Mas eu voltava de novo, inteiramente como dantes, às minhas resistencia e vaidades.

Depois, à noite, quando tirava aquelas malditas librés de Satanás, isto é, os vãos enfeites, instrumentos da malícia dele, aparecia-me o meu soberano Senhor, como na flagelação, completamente desfigurado, fazendo-me terríveis queixas: que as minhas vaidades O tinham reduzido àquele estado; que eu perdia um tempo tão precioso, de que Ele me havia de pedir rigorosa conta à hora da morte; que O atraiçoava e perseguia, depois de Ele me ter dado tantas provas de amor e me ter mostrado todo o Seu desejo de que eu me tornasse semelhante a Ele. Tudo isto se imprimia em mim tão fundamente, e me fazia tão dolorosas feridas no coração, que eu chorava amargamente; ser-me-ía muito dificil explicar tudo quanto sofria e se passava em mim».

2 comentários:

Dulce disse...

Minha querida Mariam, cada vez que venho aqui aprendo e levo comigo algo de novo. Hoje não foi excepção! Desconhecia(e desculpa a minha ignorância)S.Margarida Maria Alacoque e vou reter a "luta" que teve para se tornar simples e humilde aos olhos de Deus.
Há muito que também encetei essa luta onde umas vezes ganho e outras perco, mas da qual não quero desistir nunca.
Tentemos, tal como S. Margarida, despirmo-nos dos adornos da vida que apenas brilham e mais nada.
Obrigado por esta partilha que absorvi tão apropriadamente neste tempo de Quaresma.
Uma boa caminhada para ti de olhos postos na estera de Jesus ressuscitado.
Abraço apertado em Cristo e Maria

Mariam disse...

Pois é Dulce, essa luta tem de ser travada dia após dia, na certeza de que só n'Ele está a vitória.

S. Margarida Maria é, para mim, muito cativante. Porquê? Porque era uma criança e uma jovem bastante frágil; sofreu muito; também teve as suas vaidades e as suas dúvidas... Mas: um dia, Jesus fez-Se sentir fortemente na sua vida e ela acabou por se render nos braços daqueLE que há muito lhe prendera o coração.

Como tenho de aprender com ela!!!

Santa Quaresma!

Um grande abraço em Jesus e Maria