sexta-feira, 14 de maio de 2010

Viva o Papa!



Viva o Papa!!! Eis o grito eufórico de tantos jovens e adultos que entusiasmadamente se fizeram ouvir no recinto do Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima.

Tive a oportunidade de ver várias vezes o Santo Padre, bem próximo até, nomeadamente, no dia 12, na Capelinha das Aparições, onde eu, como catequista, estava a acompanhar os meus catequizandos no momento do acolhimento ao Santo Padre pelas crianças da Paróquia de Fátima. Foi um  momento emocionante, aquele em que os os meus olhos puderam contemplar o sucessor de Pedro e os meus ouvidos puderam escutar a oração - e consagração - que o nosso supremo pai na fé pronunciou de joelhos no altar, diante da imagem de Nossa Senhora de Fátima, ao Coração Imaculado de Maria. Passo a transcrevê-la:

Santo Padre:

Senhora Nossa
e Mãe de todos os homens e mulheres,
aqui estou como um filho
que vem visitar sua Mãe
e o faz na companhia
de uma multidão de irmãos e irmãs.
como sucessor de Pedro,
a quem foi confiada a missão
de presidir ao serviço
da caridade na Igreja de Cristo
e de confirmar a todos na fé
e na esperança,
quero apresentar ao vosso
Coração Imaculado
as alegrias e esperanças
e também os problemas e as dores
de cada um destes vossos filhos e filhas,
que se encontram na Cova da Iria
ou nos acompanham de longe.

Mãe amabilíssima,
Vós conheceis cada um pelo seu nome,
com o seu rosto e a sua história,
e a todos quereis com
a benevolência maternal
que brota do próprio coração de Deus Amor.
A todos confio e consagro a Vós,
Maria Santíssima,
Mãe de Deus e nossa Mãe.

Cantores e assembleia:

Nós Te cantamos e aclamamos, Maria. (v. 1)

Santo Padre:

O Venerável Papa João Paulo II,
que Vos visitou três vezes, aqui em Fátima,
e agradeceu a «mão invisível»
que o libertou da morte
no atentado de treze de Maio,
na Praça de São Pedro, há quase trinta anos,
quis oferecer ao Santuário de Fátima
uma bala que o feriu gravemente
e foi posta na vossa coroa de Rainha da Paz.
É profundamente consolador
saber que estais coroada
não só com a prata
e o oiro das nossas alegrias e esperanças,
mas também com a bala
das nossas preocupações e sofrimentos.

Agradeço, Mãe querida,
as orações e os sacrifícios
que os Pastorinhos
de Fátima faziam pelo Papa,
levados pelos sentimentos
que lhes infundistes nas aparições.
Agradeço também todos aqueles que,
em cada dia,
rezam pelo Sucessor de Pedro
e pelas suas intenções
para que o Papa seja forte na fé,
audaz na esperança e zeloso no amor.

Cantores e assembleia:

Nós Te cantamos e aclamamos, Maria. (v. 2)

Santo Padre:

Mãe querida de todos nós,
entrego aqui no vosso Santuário de Fátima,
a Rosa de Oiro
que trouxe de Roma,
como homenagem de gratidão do Papa
pelas maravilhas que o Omnipotente
tem realizado por Vós
no coração de tantos que peregrinam
a esta vossa casa maternal.

Estou certo que os Pastorinhos de Fátima,
os Beatos Francisco e Jacinta
e a Serva de Deus Lúcia de Jesus
nos acompanham nesta hora de prece e de júbilo.


Cantores e assembleia:

Nós Te cantamos e aclamamos, Maria. (v. 5)


Totus tuus, Maria!



segunda-feira, 26 de abril de 2010

Deus em nós, nós em Deus...


«No centro de nosso ser, existe um ponto como que vazio, intocado pelo pecado e pela ilusão, um ponto de pura verdade, um ponto, uma centelha que pertence inteiramente a Deus... Este pontinho "de nada" e de absoluta pobreza é a pura glória de Deus em nós... É como um diamante puríssimo, a brilhar na luz invisível do céu. Isso existe em todos os homens, e se pudéssemos vê-lo, veríamos esses milhões de pontos de luz a juntar-se na face e no ardor de um sol que faria desaparecer completamente toda a escuridão e toda a crueldade da vida...» (Thomas Merton, OCSO)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

A Oração do Coração




Por Henri Nouwen

"A oração hesicástica, que leva ao descanso em que a alma habita com Deus, é a oração do coração. Para nós que damos tanta importância à mente, aprender a rezar com o coração e a partir dele tem importância especial. Os monges do deserto nos mostram o caminho. Embora não exponham nenhuma teoria sobre a oração, suas narrativas e seus conselhos concretos apresentam as pedras com as quais os autores espirituais ortodoxos mais tardios construíram uma espiritualidade magnífica. Os autores espirituais do monte Sinai, do monte Atos e os startsi da Rússia oitocentista apoiam-se todos na tradição do deserto. Encontramos a melhor formulação da oração do coração nas palavras do místico russo Teófano, o Recluso: "Rezar é descer com a mente ao coração e ali ficar diante da face do Senhor, omnipresente, omnividente dentro de nós". No decorrer dos séculos, essa perspectiva da oração tem sido central no hesicasmo Rezar é ficar na presença de Deus com a mente no coração, isto é, naquele ponto de nossa existência em que não há divisões nem distinções e onde somos totalmente um. Ali habita o Espírito de Deus e ali acontece o grande encontro. Ali, coração fala a coração, porque ali ficamos diante da face do Senhor, onividente, dentro de nós. É bom saber que aqui a palavra "coração" é usada em seu sentido bíblico pleno. em nosso meio, ela se tornou lugar-comum. Refere-se à sede da vida sentimental. Expressões como "coração partido" e "sentido no coração" mostram ser comum pensarmos no coração como o lugar quente onde se localizam as emoções, em contraste com o frio intelecto onde têm lugar nossos pensamentos. Mas, na tradição judeu-cristã, a palavra "coração" refere-se à fonte de todas as energias físicas, emocionais, intelectuais, volitivas e morais.

No coração, originam-se impulsos impenetráveis, além de sentimentos, disposições e desejos conscientes. O coração também tem suas razões e é o centro da percepção e do entendimento. Finalmente, ele é a sede da vontade: faz planos e chega a uma boa decisão. Assim, é o órgão central e unificador de nossa vida pessoal. Nosso coração determina nossa personalidade e é, portanto, não só o lugar onde Deus habita mas também o lugar ao qual Satanás dirige seus ataques mais ferozes. Esse coração é o lugar da oração. A oração do coração dirige-se a Deus a partir do centro da pessoa e, assim, afecta toda a nossa compaixão.

Um dos monges do deserto, Macário, o Grande, diz: "A tarefa principal do atleta (isto é, do monge) é entrar em seu coração". Isso não significa que o monge deva procura encher sua oração de sentimento; significa que deve esforçar-se para deixar que ela remodele toda a sua pessoa. O discernimento mais profundo dos monges do deserto é que entrar no coração é entrar no Reino de Deus. Em outras palavras, o caminho para Deus é pelo coração. Isaac, o Sírio, escreve:

"Procure entrar na câmara do tesouro... que está dentro de você e então descobrirá a câmara do tesouro do céu. Pois ambas são a mesma coisa. Se conseguir entrar em uma, você verá ambas. A escada para este Reino está escondida dentro de você, em sua alma. Se você purificar a alma, ali verá os degraus da escada que deve subir."

E João de Cárpato diz: "É preciso grande esforço e luta na oração para alcançar aquele estado da mente que é livre de toda perturbação; é um céu dentro do coração (literalmente 'intracardíaco'), o lugar onde, como o apóstolo Paulo assegura, "Cristo está em vós" (2Cor13,5).

Em suas falas, os monges do deserto nos indicam uma visão bastante holística de oração. Eles nos afastam de nossas práticas intelectuais, nas quais Deus se transforma em um dos muitos problemas com os quais temos de lidar. Mostram-nos que a verdadeira oração penetra no âmago de nossa alma e não deixa nada sem tocar. A oração do coração não nos permite limitar nosso relacionamento com Deus a palavras interessantes ou emoções piedosas. Por sua própria natureza, essa oração transforma todo o nosso ser em Cristo, precisamente porque abre os olhos de nossa alma à verdade de nós mesmos e também à verdade de Deus. Em nosso coração passamos a nos ver como pecadores abraçados pela misericórdia de Deus. É essa visão que nos faz clamar: "Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus vivo, tem misericórdia de mim, pecador". A oração do coração nos exorta a não esconder absolutamente nada de Deus e a nos entregar incondicionalmente a sua misericórdia.

Assim, a oração do coração é a oração da verdade. Desmascara as muitas ilusões sobre nós mesmos e sobre Deus e nos conduz ao verdadeiro relacionamento do pecador com o Deus misericordioso. Essa verdade é o que nos dá o "descanso" do hesicasta. Quando ela se abriga em nosso coração, somos menos distraídos por pensamentos mundanos e nos voltamos mais sinceramente para o Senhor de nossos corações e do universo. Assim, as palavras de Jesus: "Felizes os corações puros: eles verão a Deus" (Mt 5,8) tornam-se reais em nossa oração. As tentações e as lutas continuam até o fim de nossas vidas, mas com um coração puro ficamos tranquilos, mesmo em meio a uma existência agitada.

Isso levanta o problema de como praticar a oração do coração em um ministério bastante agitado. É a essa questão de disciplina para a qual precisamos agora voltar a atenção.

Oração e Ministério

Como nós, que não somos monges nem vivemos no deserto, praticamos a oração do coração? Como ela influencia nosso ministério quotidiano?

A resposta a essa pergunta está na formulação de uma disciplina definitiva, uma regra de oração. Há três características da oração do coração que nos ajudam a formular essa disciplina:

A oração do coração alimenta-se de orações breves e simples.
A oração do coração é incessante.
A oração do coração inclui tudo.

Alimenta-se de Orações Breves

No contexto de nossa cultura verbosa, é significativo ouvir os monges do deserto nos aconselhando a não usar palavras em excesso:

"Perguntaram ao abá Macário: 'Como se deve rezar?' O ancião respondeu: 'Não há, em absoluto, necessidade de fazer longos discursos; basta estender a mão e dizer: Senhor, como queres e como sabes, tem misericórdia. E se o conflito ficar mais ameaçador, dizer: Senhor, ajuda. Ele sabe muito bem do que precisamos e nos mostra sua misericórdia'".

João Clímaco é ainda mais explícito:

"Quando rezar, não procure se expressar em palavras extravagantes pois, quase sempre, são as frases simples e repetitivas de uma criancinha que nosso Pai do céu acha mais irresistíveis. Não se esforce em muito falar, para que a busca de palavras não lhe distraia a mente da oração. Uma única frase nos lábios do colector de impostos foi suficiente para lhe alcançar a misericórdia divina; um pedido humilde feito com fé foi suficiente para salvar o bom ladrão. A tagarelice na oração sujeita a mente à fantasia e à dissipação; por sua natureza, as palavras simples tendem a concentrar a atenção. Quando encontrar satisfação ou contrição em determinada palavra de sua oração, pare nesse ponto".

Essa é uma sugestão muito útil para nós que tanto dependemos da capacidade verbal. A tranquila repetição de uma única palavra ajuda-nos a descer com a mente ao coração. Essa repetição nada tem a ver com mágica. Não tem o propósito de enfeitiçar Deus, nem de forçá-lo a nos ouvir. Pelo contrário, uma palavra ou sentença repetida com frequência ajuda-nos a nos concentrar, a nos mover para o centro, a criar uma tranquilidade interior e, assim, a ouvir a voz de Deus. Quando simplesmente tentamos ficar sentados em silêncio e esperar que Deus nos fale, nos vemos bombardeados por intermináveis pensamentos e ideias conflituantes. Mas quando usamos uma sentença bastante simples como: "Ó Deus, vem em meus auxílio", ou "Jesus, mestre, tem piedade de mim", ou uma palavra como "Senhor" ou "Jesus", é mais fácil deixar as muitas distracções passarem sem nos deixarmos iludir por elas. Essa oração simples, repetida com facilidade, esvazia aos poucos nossa vida interior apinhada e cria o espaço sossegado onde habitamos com Deus. É como uma escada pela qual descemos ao coração e subimos a Deus. Nossa escolha de palavras depende de nossas necessidades e das circunstâncias do momento, mas é melhor usar palavras da Escritura.

Quando somos fiéis a essa oração simples e a praticamos com regularidade, ela nos conduz devagar a uma experiência de descanso e nos abre à presença activa de Deus. Além disso, em um dia muito atarefado, podemos levar essa oração connosco. Quando, por exemplo, passamos, no início da manhã, 20 minutos sentados na presença de Deus com as palavras: "O Senhor é meu pastor", elas lentamente constroem em nosso coração um pequeno ninho para si mesmas e ali ficam o restante de nosso dia atarefado. Até enquanto falamos, estudamos, cuidamos do jardim ou construímos alguma coisa, a oração continua em nosso coração e nos mantém conscientes da orientação omnipresente de Deus. A disciplina não é agora dirigida para um discernimento mais profundo do que significa chamar Deus de nosso Pastor, mas para a íntima experiência da acção pastoral de Deus em tudo que pensamos, dizemos ou fazemos.

Incessante

A segunda característica da oração do coração é ser incessante. A pergunta de como seguir a ordem de Paulo: "Orai incessantemente" foi fundamental no hesicasmo desde a época dos monges do deserto até a Rússia oitocentista. Há muitos exemplos desse interesse nos dois extremos da tradição hesicástica. (Vejamos um dos principais:)

....
Na famosa história do Peregrino Russo lemos:
"Pela graça de Deus sou cristão, mas pelas minhas acções sou um grande pecador... No vigésimo quarto domingo depois de Pentecostes, fui à igreja para ali fazer minhas orações durante a liturgia. Estava sendo lida a primeira Epístola de S. Paulo aos Tessalonicenses e, entre outras palavras, ouvi estas: 'Orai incessantemente' (1Ts 5,17). Foi esse texto, mais que qualquer outro, que se inculcou em minha mente, e comecei a pensar como seria possível rezar incessantemente, já que um homem tem de se preocupar também com outras coisas a fim de ganhar a vida".

O camponês foi de igreja em igreja, para ouvir sermões, mas não encontrou a resposta que queria. Finalmente, encontrou um santo staretz que lhe disse:

"A oração interior incessante é um anseio contínuo do espírito humano por Deus. Para sermos bem-sucedidos nesse exercício consolador, precisamos suplicar com mais frequência a Deus que nos ensine a rezar sem cessar. Rezar mais e rezar com mais fervor. É a própria oração que lhe revela como rezá-la sem cessar; mas leva algum tempo".

Então, o santo staretz ensinou ao camponês a Oração de Jesus: "Senhor Jesus Cristo, tem misericórdia de mim". Enquanto viajava como peregrino pela Rússia, o camponês passou a repetir essa oração com os lábios. Até considerava a oração de Jesus sua companheira verdadeira. E, então, um dia, teve a sensação de que a oração passou sozinha de seus lábios para seu coração. Ele diz:

"... parecia que, pulsando normalmente, meu coração começava a dizer as palavras da oração a cada batida... Desisti de dizer a oração com os lábios. Passei simplesmente a ouvir o que meu coração dizia".
Aqui aprendemos outro jeito de chegar à oração incessante. A oração continua a rezar dentro de mim, até enquanto falo com os outros ou me concentro no trabalho manual. Ela se torna a presença activa do Espírito de Deus que me guia pela vida.

Desse modo vemos como, pela caridade e pela actividade da oração de Jesus em nosso coração, nosso dia todo se transforma em oração contínua. Não sugiro que imitemos o peregrino russo, mas que, também nós, em nosso ministério atarefado, nos preocupemos em rezar sem cessar, para que, seja o que for que comamos ou bebamos, seja o que for que façamos o façamos pela glória de Deus. (Veja 1Cor 10,31). Amar e trabalhar pela glória de Deus não pode permanecer uma ideia sobre a qual pensamos de vez em quando. Deve se tornar uma incessante doxologia interior.

INCLUI TUDO

Uma última característica da oração do coração é que ela inclui todos os nossos interesses. Quando entramos com a mente no coração e ali ficamos na presença de Deus, então todas as nossas preocupações mentais se transformam em oração. O poder da oração do coração é precisamente que, por meio dela, tudo que está em nossa mente se transforma em oração.

Quando dizemos a alguém: "Vou rezar por si", assumimos um compromisso muito importante. É uma pena que esse comentário muitas vezes não passe de uma expressão de interesse. Mas, quando aprendemos a descer com nossa mente em nosso coração, todos os que fazem parte de nossa vida são guiados à presença curativa de Deus e tocados por ele no centro de nosso ser. Falamos aqui de um mistério para o qual palavras são inadequadas. É o mistério em que o coração, centro de nosso ser, é transformado por Deus em seu coração, um coração grande o bastante para abraçar todo o universo. pela oração, carregamos em nosso coração toda a dor e tristeza humanas, todos os conflitos agonias, toda a tortura e a guerra, toda a fome, solidão e miséria, não por causa de alguma grande capacidade psicológica ou emocional, mas porque o coração de Deus uniu-se ao nosso.

Aqui vislumbramos o sentido das palavras de Jesus:
"Tomai sobre vós o meu jugo e sede discípulos meus, porque eu sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vossas almas. Sim, o meu jugo é fácil de carregar, e o meu fardo é leve" (Mt 11,29-30).

Jesus nos convida a aceitar seu fardo, que é o do mundo todo, um fardo que inclui o sofrimento humano em todos os tempos e lugares. Mas esse fardo divino é leve e podemos carregá-lo quando nosso coração se transforma no coração manso e humilde de nosso Senhor.

Vemos aqui o íntimo relacionamento entre oração e ministério. A disciplina de conduzir todo o nosso povo com suas lutas ao coração manso e humilde de Deus é a disciplina de oração e também do ministério. Enquanto o ministério significar apenas que nos preocupamos muito com as pessoas e seus problemas; enquanto significar um número interminável de actividades que dificilmente conseguimos coordenar, ainda dependeremos muito de nosso coração tacanho e ansioso. Mas quando nossas preocupações são elevadas ao coração de Deus e ali se transformam em oração, ministério e oração se tornam duas manifestações do mesmo amor universal de Deus.

Vimos como a oração do coração se nutre de orações breves, é incessante e inclui tudo. Essas três características mostram como a oração do coração é o alento da vida espiritual e de todo o ministério. Na verdade, essa oração não é apenas uma actividade importante, mas o próprio centro da nova vida que queremos representar e na qual queremos iniciar nosso povo. As características da oração do coração deixam claro que ela exige uma disciplina pessoal. Para levar uma vida de oração não podemos passar sem orações específicas. Precisamos dizê-las de uma forma que nos ajude a ouvir melhor o Espírito que reza em nós. Precisamos continuar a incluir em nossa oração todas as pessoas com as quais e para as quais vivemos e trabalhamos. Essa disciplina vai nos ajudar a passar de um ministério entontecedor, fragmentário e muitas vezes frustrante para um ministério integrador, holístico e muito gratificante. Ela não vai facilitar o ministério, mas simplificá-lo; não vai torná-lo doce e piedoso, mas sim espiritual; não vai fazê-lo indolor e sem lutas, mas tranquilo no verdadeiro sentido hesicástico."



domingo, 11 de abril de 2010

Festa da Divina Misericórdia


O Diário de Irmã Faustina contém pelo menos quinze ocasiões nas quais se refere ao pedido do Senhor para que fosse estabelecida em toda a Igreja, oficialmente, a "Festa da Misericórdia". Ele disse:

"Desejo que a Festa de Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas, especialmente para os pecadores. Nesse dia estão abertas as entranhas da minha Misericórdia. Derramo todo o mar de graças nas almas que se aproximarem da fonte da minha Misericórdia. A alma que se confessar e comungar alcançará o perdão das culpas e castigos. (indulgência plenária) Nesse dia estão abertas todas as comportas divinas, pelas quais fluem as graças.

Que nenhuma alma tenha medo de se aproximar de Mim, ainda que seus pecados sejam como escarlate... A Festa da Misericórdia saiu das minhas entranhas... Desejo que seja celebrada solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa. A humanidade não terá paz enquanto não se voltar à fonte da minha Misericórdia." (Diário nº.699)

Jesus também pediu que a Festa da Divina Misericórdia fosse precedida por uma Novena à Divina Misericórdia, a ser iniciada na Sexta-Feira Santa. Ele deu a Irmã Faustina uma intenção pela qual rezar a cada dia da Novena. Em seu diário, Irmã Faustina relata que Jesus lhe disse:

"Em cada dia da novena, conduzirás ao Meu coração um grupo diferente de almas, e as mergulharás no oceano da minha Misericórdia. Eu conduzirei todas as almas à casa do meu Pai... Por minha parte, nada negarei a nenhuma daquelas almas que tu conduzirás à fonte da minha Misericórdia. Cada dia pedirás a meu Pai, pela minha amarga Paixão, graças para essas almas." (Diário nº.1209)

Fonte: http://www.derradeirasgracas.com

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Configurados com Cristo...



Irmãos: Todos nós que fomos baptizados em Jesus Cristo, fomos baptizados na sua morte. Fomos sepultados com Ele pelo Baptismo na Sua morte, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos, para glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova. Se, na verdade, estamos totalmente unidos a Cristo pela semelhança da sua morte, também o estaremos pela semelhança da sua ressurreição. Bem sabemos que o nosso homem velho foi crucificado com Cristo, para que fosse destruído no corpo do pecado e não mais fôssemos escravos dele. Quem morreu está livre do pecado. Se morremos com Cristo, acreditamos que também com Ele viveremos, sabendo que, uma vez ressuscitado dos mortos, Cristo já não pode morrer; a morte já não tem domínio sobre Ele. Porque na morte que sofreu, Cristo morreu para o pecado de uma vez para sempre; mas a sua vida é uma vida para Deus. Assim vós também, considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus, em Cristo Jesus (Rom 6, 3-11).


terça-feira, 6 de abril de 2010

Mulher, porque choras? A quem procuras?


«Mulher, porque choras?»
Perguntam os anjos a Maria de Magdala.
«Porque levaram o meu Senhor e não sei onde o puseram.»
Levam-te, julgas tu, o teu Divino Mestre,
o amado da tua alma, o teu Único Tudo...
Qual amargura, qual fel ruidoso e opressor
incapaz de transpor as barreiras do visível,
para além do humano, para além da dor...
«Maria!» - assim te chamou o Senhor!
E logo o teu coração ferido
sarado ficou ante a presença divina;
essa profunda chaga é incurável,
é incurável a ferida d' Amor.
Maria!, Maria!...
...«Não me detenhas»...
Não queiras procurar o eterno no efémero...
Maria!... Sou Eu quem procuras,
Eu, o teu doce Jesus, Vivo e Ressuscitado!
Eis-me aqui, contigo e em ti: para sempre!...
Agora vai... faz-te ao largo dos caminhos da vida:
é hora de Anunciar a vitória do Crucificado,
é hora de derrubar as fronteiras da morte,
é hora de espalhar a Boa-Nova,
é hora de proclamar que DEUS é PAI
e vós - em Mim - irmãos,
é hora de cantar que DEUS é AMOR,
Amor infinito, Amor misericordioso,
Amor (e)terno...

... És Tu, meu Jesus!



domingo, 4 de abril de 2010

Uma Santa e Feliz Páscoa para todos!


Na manhã de Páscoa
resplandeceu o Sol da Vida!
Sol da Justiça!
Fonte d' Amor infinito
a jorrar por toda a Eternidade!...



quinta-feira, 1 de abril de 2010

Seguindo Jesus...



Dos escritos do B. Carlos de Foucauld - Retiro de oito dias em Efraim:

«Anunciando antecipadamente a minha paixão, quis também despertar em vós compaixão pelas minhas dores, que por amor de mim sofrêsseis com os meus sofrimentos... A vossa compaixão deve ser viva e constante, porquanto em cada momento da  minha vida estão presentes todos os momentos da vossa, e amando-vos como vos amo, todos os momentos da vossa vida são para mim causa de consolação ou de aflição, maior ou menor, consoante os empregais a praticar o bem ou o mal, em maior ou menor grau... Assim, durante a minha agonia e paixão, como em qualquer outro momento da minha vida, tenho presentes todos os momentos da existência de cada um de vós, em que meditastes nas minhas dores, sofrendo também com elas e compadecendo-vos de mim, as abraçastes para me não deixar sofrer sozinho - e essa atitude consola-me por ser uma prova do vosso amor... E que outra coisa desejo eu senão que me ameis? "Eu vim lançar fogo à terra, o fogo do meu amor, do amor de Deus, e nada mais desejo senão que ele se ateie"... Não que eu necessite do vosso amor: é por amor vosso que o desejo, por isso constituir para vós o supremo bem e eu só desejar o vosso bem...

Ensino-vos também a odiar o pecado, cuja expiação me sai tão cara, a evitá-lo [a todo o custo]; e se tiverdes a infelicidade de o cometer, a deplorá-lo e fazer penitência, com o propósito de nunca mais o cometer, a pedir-me perdão imediatamente, a desejar que todos os homens jamais o cometessem, e a chorar se o cometerem, a esforçar-vos por que o não cometam, a fazer penitência não só por vós mesmos, mas também por eles, a orar para não pecardes vós nem eles, uma vez que o pecado me sai tão caro, me causa horror, me despedaça o coração, me ofende tanto!...

«Todos os que adoram um Deus crucificado,
devem carregar, no corpo e na alma,

a cruz,

selo desse Deus e sinal de que se lhe pertence...»

sexta-feira, 19 de março de 2010

S. José, rogai por nós!


19 de Março, dia de S. José, o Pai adoptivo de Jesus, aquele homem justo, como diz a Sagrada Escritura, aquele santo homem que aprendeu a amar de uma forma sublime a Santíssima Virgem Maria. Aceitou a Vontade de Deus na sua vida... Levou a sua cruz até ao fim porque amou até às últimas consequências. Aceitou ser "pai" do Verbo encarnado, pai adoptivo, pai sem o ser, na realidade, mas... aceitou. Foi protector da Mãe de Deus e do Filho de Deus, que é o próprio Deus. Foi o guia da Sagrada Família de Nazaré, o chefe de família que o Senhor, desde toda a eternidade designara, num projecto de Amor imenso...

S. José, protector e guia da Santa Igreja, rogai por nós!

Por todos os maridos e pais de família,
por todos aqueles que desejam viver em castidade,
por todos os sacerdotes,
por todas as mulheres, esposas, mães, celibatárias,
por todos intercedei junto de Deus e da Virgem Mãe, 
para que sejam fiéis, para que sejam santos. Amen.

quinta-feira, 11 de março de 2010

De injustamente excomungada - a Santa...


O ardente amor a Jesus Cristo desta santa que em breve, dia 17 de Outubro do presente ano, será canonizada pelo Santo Padre Bento XVI, e a busca incessante de cumprir a Vontade do Seu amantíssimo Esposo, fez com que esta mulher fosse alvo de muitas incompreensões, e, desta forma, se configurasse mais com o Servo Sofredor, com o Menino Deus que não pôde nascer na Hospedaria, com o Senhor Crucificado, rejeitado e despojado de tudo... Refiro-me à excomunhão que um Bispo lhe infligiu na flor da idade, tinha ela 29 anos.

Mary destacou-se no meio de tantos "outros" e, precisamente por isso, não ficou impune. Todos sabemos que quem se destaca, quem sobressai por suas virtuosas qualidades estimula, muitas vezes, senão mesmo sempre, a maldade, o ódio, a inveja e todos esses baixos sentimentos presentes no coração daqueles que, renegando a Verdade - Jesus Cristo e o Seu seguimento - se deixam conduzir pelo espírito mundano. Porém, não esqueçamos que, como diz S. Paulo, «tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus», TUDO: todos os sofrimentos, tudo aquilo que de forma inesperada nos acontece, como o sofrimento, em todas as suas formas... A seguir ao Inverno vem a Primavera! Depois da tempestade vem a bonança, depois da degraça, a Graça, depois da morte, a Vida e a certeza da eterna ressurreição!

«Aquela que será a primeira santa australiana, conhecida pelos contemporâneos como Madre Maria da Cruz, deixou obra no campo da educação e trabalho com os mais pobres e já era, para os crentes do seu país, e de outros lugares para onde o seu exemplo se expandiu, uma "santa do povo". Quando morreu, em 1909, aos 67 anos, os choques com a hierarquia eram passado e o então arcebispo de Sydney, cardeal Patrick Moran, saudou-a como santa. Na semana passada, depois de ter dado como provados os necessários milagres para a canonização, Roma, pela voz do Papa Bento XVI, concordou.

Filha de emigrantes escoceses, mais velha de oito irmãos, Mary Helen nasceu nos subúrbios de Melbourne em 1842. Aprendeu em escolas privadas, mas também com o pai, que tinha estudado para padre. Aos 16 anos, para ajudar a família, que inicialmente prosperou na Austrália, mas a quem a vida se tinha tornado difícil, começou a trabalhar como explicadora e a ensinar numa escola católica para raparigas.

Em 1866, ano em que completou 24 anos e se tornou freira, abriu a primeira escola num bairro pobre de Penola, incentivada pelo padre e cientista Julian Tenisson Woods, que precisava de ajuda para a educação religiosa das crianças da sua vasta paróquia. A afluência de jovens raparigas levou a que ambos fundassem a Congregação das Irmãs de São José do Sagrado Coração. Em quatro anos, as "josefinas" abririam 34 escolas, mas também centros de acolhimento e orfanatos no Sul da Austrália.

Insubordinação

Desentendimentos sobre matérias educativas, vistos como desobediência pelo bispo de Adelaide, Laurence Sheil, que apadrinhara a criação da congregação, levaram-no a excomungar Mary MacKillop, por insubordinação, em Setembro de 1871. Foram momentos complicados: a maior parte das escolas fechou, as Irmãs de São José quase se dissolveram.

Mas meses depois, em Fevereiro do ano seguinte, a poucos dias de morrer, Sheil revogou a pena. E no ano seguinte, Mary obteve aprovação do Papa Pio IX para a existência da congregação. Só que os conflitos com a hierarquia da Igreja australiana não tinham ainda terminado: ficou também conhecida, nos anos 1880, uma desavença com o então bispo Christopher Reynolds, que lhe ordenou que deixasse a diocese de Adelaide devido a desentendimentos sobre a tutela de escolas e instituições de caridade. Seria de novo um Papa, Leão XIII, a tomar o partido de uma mulher descrita como carinhosa mas determinada, com um enorme amor pelo próximo e grandes olhos azuis como traço físico mais marcante.» - in Publico.pt

Para ler este artigo na íntegra clique aqui.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Transformados na imagem do Ser Divino...



«Todos esses eleitos que ostentam a palma na mão, e que se encontram completamente banhados na grande luz de Deus, tiveram que anteriormente passar pela "grande tribulação", e conhecer essa dor "imensa como o mar", cantada pelo salmista. Antes de contemplar "de rosto descoberto, a glória do Senhor", comungaram nos aniquilamentos do seu Cristo; antes de serem "transformados de glória em glória, na imagem do Ser divino", foram conformados à do Verbo incarnado, o Crucificado por amor.»

- B. Isabel da Trindade, Último Retiro

sexta-feira, 5 de março de 2010

Deixa-te olhar por Jesus!

«Olha-me ó Jesus,
misericórdia infinita!
Volta para mim o Teu rosto,
devotamente Te peço, para que,
sob o Teu olhar, eu possa chorar
os meus pecados.
Uma vez que olhaste para Pedro,
caído no pecado;
sob o Teu olhar e com a ajuda divina,
ele chorou amargamente;
de novo na Tua graça,
permaneceu sempre fiel.»

- S. Leão IX, Algumas orações compostas pelos Papas