quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Relinqueri amare a Domino

Dos escritos da B. Isabel da Trindade


«Vós sois excepcionalmente amada, amada com aquele amor de preferência que o Mestre na terra teve por alguns e que os levou tão longe. Não vos diz Ele, como a Pedro: "Amas-Me mais que estes?" (...) Deixai-vos amar "mais que estes": é assim que o Mestre quer que sejais louvor da Sua glória! Ele alegra-se de edificar em vós pelo seu amor e para sua glória, e é Ele sózinho quem quer operar, ainda que não tenhais feito nada para atrair esta graça senão o que a criatura faz: obras de pecado e de misérias... Ele ama-vos mesmo assim, Ele ama-vos "mais que estes", Ele tudo fará em vós, e irá até ao fim: porque, quando uma alma é por Ele a tal ponto amada, desta forma amada com um amor imutável e criador, com um amor livre que transforma como lhe apraz, oh! quanto vai longe esta alma!

A fidelidade que o Mestre vos pede consiste em vos manterdes em comunhão de Amor, em vos haver de derramar e enraízar neste Amor que vos quer marcar a alma com o selo de seu poder e grandeza. Nunca mais voltareis a ser banal se estiverdes desperta no amor! Mesmo nas horas em que não sentirdes senão abatimento, cansaço, agradar-Lhe-eis ainda se fordes fiel em crer que é ainda Ele quem opera, que mesmo assim vos ama, e até mais: porque o seu amor é livre e é assim que Ele se quer engrandecer em vós; e deixar-vos-eis amar "mais que estes".

Creio que é o que isto quer dizer... Vivei no fundo da vossa alma! É o meu Mestre quem me faz lucidamente compreender que aí quer criar coisas adoráveis: sois chamada a prestar homenagem à Simplicidade do Ser divino e a engrandecer o poder do Seu Amor» («Deixa-te amar», B. Isabel da Trindade à Madre Germana).


sábado, 8 de janeiro de 2011

Caminho de santidade...

«Queres deveras ser santo? Cumpre o pequeno dever de cada momento, faz o que deves e está no que fazes» (S. Josemaria Escrivá in Caminho, 815).

Percorrer o caminho da perfeição, seguindo as pegadas do Redentor, significa abraçar a cruz de cada dia em fé, esperança e amor. Assim, o dever de cada momento, em vez de ser um "peso" será meio e ocasião de oferecimento voluntário de um sacrifício involuntário, mas que, unido ao sofrimento de Cristo, adquirirá um valor redentor... É um mistério, sem dúvida... Mistério que muitas vezes não lembramos ou até ignoramos...

É difícil cumprir o «dever de cada momento» e «estar» no que fazemos. Daí que, devemos, antes de iniciarmos, por exemplo, um trabalho, benzermo-nos e invocar o Divino Espírito Santo, para que seja Ele a iluminar, inspirar e encaminhar todos os nossos actos n'Ele e para Ele, para glória e louvor da Santíssima Trindade. E isto porque, também, uma pequena falha e desvio de alguma acção nossa repercute nos outros - é a dimensão comunitária do pecado (para além da pessoal). Um conselho mal dado, uma sugestão qualquer, ainda que em matéria não grave, pode prejudicar e muito aquele meu irmão ou irmã! Temos uma grande responsabilidade! Temos de ser exemplo de cristãos que bucam a perfeição, que buscam seguir o Divino Mestre sempre e em tudo.

Ser luz no meio das trevas...; ser sal num mundo insosso e corrompido pelo "poder" do pecado e da morte. E sê-lo não necessariamente em coisas grandes, vistosas, mas nas pequeninas coisas de cada dia, no escondimento, na humildade... Um aluno que leva consigo cábulas para os exames, que está sempre a sussurrar durante os mesmos, perturba aqueles que o querem fazer com toda a seriedade de consciência! é apenas um exemplo de como devemos ser perfeitos em tudo e de como do nosso pecado advêm péssimas consequências não só para nós como para os outros e, acima de tudo, a dor que provocamos a Deus nosso Senhor e Criador.



E um bom e santo ano 2011 para todos! Que Deus nos abençoe!



sábado, 25 de dezembro de 2010

Nativitate Domini...

Dos Sermões de São Leão Magno, papa (séc. V):

Reconhece, ó cristão, a tua dignidade

«Hoje, caríssimos irmãos, nasceu o nosso Salvador. Alegremo-nos. Não pode haver tristeza no dia em que nasce a vida, uma vida que destrói o temor da morte e nos infunde a alegria da eternidade prometida.

Ninguém é excluído desta felicidade, porque é comum a todos os homens a causa desta alegria: Nosso Senhor, vencedor do pecado e da morte, não tendo encontrado ninguém isento de culpa, veio para nos libertar a todos. Alegre-se o santo, porque se aproxima a vitória; alegre-se o pecador, porque lhe é oferecido o perdão; anime-se o gentio, porque é chamado para a vida.

(...)

Reconhece, ó cristão, a tua dignidade. Uma vez constituído participante da natureza divina, não penses em voltar às antigas misérias com um comportamento indigno da tua geração. Lembra-te de que cabeça e de que corpo és membro. Não esqueças que foste libertado do poder das trevas e transferido para a luz do reino de Deus.

Pelo sacramento do Baptismo, foste transformado em templo do Espírito Santo. Não queiras expulsar com as tuas más acções tão digno hóspede, nem voltar a submeter-te à escravidão do demónio. O preço do teu resgate é o Sangue de Cristo.»


domingo, 19 de dezembro de 2010

Deus Caritas est!


A homilía escutada ontem, na Missa vespertina do IV Domingo do Advento (bem como as de hoje), levou-me a reflectir sobre a Vontade de Deus e os Seus pensamentos, os Seus desígnios, porventura tantas vezes diferentes dos nossos... Projectamos tanta coisa... Também Maria Santíssima foi uma jovem com os seus sonhos; também S. José foi um homem justo que pensou no seu futuro, que projectou... No entanto, quando Deus fala, desinstala... Desinstalou Maria... e desinstalou José...

E, dizia o sacerdote, acharemos nós que foi fácil a vida de ambos? Não. Não foi nada fácil. E podemos reflectir um pouco sobre cada uma destas santíssimas personagens para concluirmos que, de facto, as suas vidas foram bem difíceis, superadas apenas pelo Puro Amor que ali habitava, neles e entre eles: o próprio Deus.

Isto leva-me a pensar o seguinte: só uma pessoa que deseja, verdadeiramente, ser santa, ser pura e purificada (juntando a isto tudo, ou não, um carácter simpático, comunicativo, humilde e simples) é que consegue, ou melhor, é que permite que Deus vença nela todos os obstáculos que se opõe à vivência da Caridade estabelecendo com outra, também assim, um círculo de Amor Único e Trinitário (não exclusivo, consoante o estado de vida...).

Sim, o eros quer-nos elevar « em êxtase » para o Divino, conduzir-nos para além de nós próprios, mas por isso mesmo requer um caminho de ascese, renúncias, purificações e saneamentos (Deus Caritas est, 5).

Na realidade, eros e agape — amor ascendente e amor descendente — nunca se deixam separar completamente um do outro. Quanto mais os dois encontrarem a justa unidade, embora em distintas dimensões, na única realidade do amor, tanto mais se realiza a verdadeira natureza do amor em geral (Deus Caritas est, 7).
 
É superiormente bela a experiência do encontro entre duas pessoas que, na simplicidade dos gestos e das palavras e num espírito filial / irmanal e de mútuo respeito (nomeadamente entre um homem e uma mulher - a complementaridade), conseguem expressar a beleza do Amor de Deus, amor divino que passa pelo humano, pois amamos no corpo, num corpo reconciliado. Refiro-me de modo particular ao dia de hoje... Um grande convívio, muitas pessoas, entre as quais muitas conhecidas. Primeiramente, surgem os temores de ter de enfrentar tanta gente e o achar que vai ser uma "perda de tempo", algo muito "banal". Mas, depois, quando começamos a redescobrir as amizades que temos, a rever pessoas que não víamos havia tempos! Oh! Renasce a alegria destes momentos de "convívio" amistoso e pleno da Caridade de Cristo. Mas, as mais significativas são aquelas pessoas que amam e se amam virginalmente. Parece algo utópico e não devemos, de facto, cair numa espiritualidade despida da humanidade. Porém, quando tal acontece, é motivo de dar graças e louvores a Deus.
 
S. José viu os seus projectos transformados, sublimados... Casar-se com uma mulher com quem deveria viver em perfeita castidade? Parece algo absurdo (e é para os casais, ao quais Deus deu a ordem da procriação; a Sagrada Família é um caso à parte). É com ele que todos os sacerdotes devem aprender a amar cada pessoa como "outro Cristo", como irmão, como irmã, como filho, como filha.
 
Amor a Deus e amor ao próximo são inseparáveis, constituem um único mandamento. Mas, ambos vivem do amor preveniente com que Deus nos amou primeiro. Deste modo, já não se trata de um « mandamento » que do exterior nos impõe o impossível, mas de uma experiência do amor proporcionada do interior, um amor que, por sua natureza, deve ser ulteriormente comunicado aos outros. O amor cresce através do amor. O amor é « divino », porque vem de Deus e nos une a Deus, e, através deste processo unificador, transforma-nos em um Nós, que supera as nossas divisões e nos faz ser um só, até que, no fim, Deus seja « tudo em todos » (Deus Caritas est, 18).
 
Que a Santíssima Virgem Maria eduque o nosso coração... Nos faça ver a beleza que há no coração dos outros, no olhar, no sorriso; em amor ágape, kenótico, oblativo; em gestos simples e breves de quem chega mas que sabe que terá logo de partir, de quem tudo tem mas sem nada possuir... Isto sim é AMIZADE vivida na CARIDADE.

Continuação de um santo Advento! Preparemo-nos para acolher devidamente o nosso Deus! A Sua graça não faltará! «Omnia possum in eo qui me confortat» (tudo posso n'Aquele que me conforta) - Fil 4, 13.


terça-feira, 14 de dezembro de 2010

S. João da Cruz: o eterno enamorado!

- Extaído do livro: «Noite Escura», de S. João da Cruz


CANÇÕES DA ALMA

Em uma noite escura
Com ânsias em amores inflamada,
Ó ditosa ventura!
Saí sem ser notada,
'stando já minha casa sossegada.

Às escuras, segura,
Pela secreta escada disfarçada,
Ó ditosa ventura!
Em trevas e em celada,
'stando já minha casa sossegada.

Nessa noite ditosa,
Em segredo, porque ninguém me via,
Nem via eu qualquer coisa
Sem outra luz nem guia
Excepto a que no coração ardia.

Mas esta me guiava
Mais certeira que a luz do meio-dia,
Aonde me esperava
Quem eu p'ra mim sabia,
Em parte onde ninguém morar par'cia.

Ó noite que guiaste,
Ó noite amável mais do que a alvorada :
Ó noite que juntaste
Amado com amada,
A amada no Amado transformada!

Em meu peito florido
Que só para ele inteiro se guardava,
Ficou adormecido,
E eu o acariciava
E o abanar dos cedros refrescava.

Da ameia a brisa amena,
Quando eu seus cabelos afagava,
Com sua mão serena
No colo me tocava,
E os sentidos suspensos me deixava.

Fiquei-me e esqueci-me,
O rosto reclinado sobre o Amado,
Cessou tudo e rendi-me,
Deixando meu cuidado
Em meio de açucenas olvidado.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Coração de Jesus...

Coração de Jesus: a Ti me consagro
para em Ti me perder e enfim ser encontrada
no oceano do Teu ser - consumada...


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Toda sois formosa, ó Maria!

V. Ó Maria, concebida sem pecado.
R.  Rogai por nós que recorremos a Vós.

V. Toda sois formosa, ó Maria.
R. Toda sois formosa, ó Maria.
V. E mácula original não há em Vós.
R. E mácula original não há em Vós.
V. Vós sois a glória de Jerusalém;
R. Vós a alegria de Israel.
V. Vós a honra de nosso povo;
R. Vós a advogada dos pecadores.

V. Ó Maria.
R. Ó Maria.
V. Virgem prudentíssima.
R. Mãe clementíssima.
V. Rogai por nós.
R. Intercedei por nós a Nosso Senhor Jesus Cristo.

V. Vós fostes, ó Virgem, Imaculada em Vossa Conceição.
R. Rogai por nós ao Pai, cujo Filho destes à luz.

Oremos: Ó Deus, que pela Imaculada Conceição da Virgem Maria preparastes a Vosso Filho uma digna habitação, nós Vos rogamos que, assim como a preservastes de toda a mancha pela previsão da morte de seu mesmo Filho, nos concedais por sua intercessão que também puros cheguemos até Vós. Pelo mesmo Cristo senhor Nosso. Amem.

sábado, 4 de dezembro de 2010

A espera virginal em tempo de Advento...

Advento é tempo de espera, de preparação para o encontro definivo com Jesus Cristo que há-de vir. É não só preparação para o encontro com Deus na hora em que Ele nos chamar a Si, como, sobretudo, a preparação para a segunda e última vinda do Redentor: a Parusia. A espiritualidade do advento assentará no desejo deste encontro e na consequente vigilância do coração, no derrubar dos fortes e das fronteiras, na contrição e conversão Àquele que É, verdadeiramente, Senhor e Dono do nosso próprio coração.

Para celebrar tão grande Festa - o Natal - é preciso esperar virginalmente o Rei que vem ao encontro da Sua anima sponsa..., a exemplo da Mulher da espera - a Santíssima Virgem Maria -, que pernoitou no silêncio da fé, em perfeito abandono e quietude d' amor. Não entendeu - aceitou - entregou-Se..., guardando tudo e tudo meditando no Seu Imaculado Coração... A Seu exemplo, também nós devemos aguardar a vinda de Cristo Jesus com coração virgem, isto é, com coração despojado, abnegado, temente e amante de Deus Criador. Coração virgem como expressão da unificação de todo o ser no Único e Essencial que é DEUS.

Através da intercessão de tão bondosa Mãe, pela escuta da voz profética de S. João Baptista e pela guarda de S. José, corramos sem desfalecer, peregrinemos leves e alegres no tempo da esperança e cantando incessantemente este cântico de súplica ao nosso Deus e Salvador: Maranathá! - Vem, Senhor Jesus!

sábado, 20 de novembro de 2010

Guardar a Palavra...

Do «Último Retiro», da B. Isabel da Trindade

11º dia

O Senhor fez-me entrar num lugar espaçoso, usou de boa vontade para comigo... (Sl 17, 20). O Criador, ao ver o belo silêncio que reina na Sua criatura, contemplando-a inteiramente recolhida na solidão interior, enamora-se da sua beleza e fá-la passar a essa solidão imensa, infinita, neste lugar espaçoso cantado pelo profeta e que não é outro senão Ele mesmo: Entrarei nas profundezas do poder de Deus (Sl 70, 16). Ao falar pelo seu profeta, o Senhor disse: Conduzi-la-ei à solidão e fala-lhe-ei ao coração (Os 2, 14). Eis entrada esta alma nessa vasta solidão, em que Deus se vai fazer ouvir! A sua palavra, diz S. Paulo, é viva e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes: chega até à separação da alma e do espírito, mesmo até às articulações e à medula (Hebr 4, 12). É, pois, ela que directamente vai acabar o trabalho do despojamento na alma; porque tem de seu e de particular, operar e criar o que faz ouvir, desde que, entretanto, a alma consinta em se deixar modelar.

Não basta, contudo, ouvir esta palavra, é preciso guardá-la! E é guardando-a que a alma será «santificada na verdade», eis o desejo do Mestre: Santificai-os na verdade, a Vossa palavra é verdade (Jo 17, 17). A quem guardar a Sua palavra, não prometeu: Meu Pai amá-lo-á e nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada? (Jo 14, 23). É a Trindade inteira que habita na alma que em verdade A ama, quer dizer, que guarda a Sua palavra!... E logo que esta alma tenha compreendido esta riqueza, todas as alegrias, naturais e sobrenaturais, que lhe possam vir da parte das criarutas ou mesmo da parte de Deus, apenas mais a convidam a retornar a si mesma para gozar o Bem substancial que possui, e que não é outro senão o próprio Deus. E, assim, como diz S. João da Cruz, ela tem uma certa semelhança com o Ser divino.


segunda-feira, 15 de novembro de 2010

«Não dialogues com a tentação»

Dos escritos de S. Josemaria Escrivá:

Chapinhas nas tentações, pões-te em perigo, brincas com a vista e com a imaginação, falas de... disparates. E depois assustas-te por te assaltarem dúvidas, escrúpulos, confusões, tristeza e desalento. Hás-de conceder-me que és pouco coerente. (Sulco, 132)

Havemos de fomentar nas nossas almas um verdadeiro horror ao pecado. "Senhor (repete-o de coração contrito), que nunca mais Te ofenda!". Mas não te assustes ao notar o lastro do teu pobre corpo e das paixões humanas: seria tolo e ingenuamente pueril que descobrisses agora que "isso" existe. A tua miséria não é obstáculo; é acicate para te unires mais a Deus, para O procurares com constância, porque Ele nos purifica. (Sulco, 134)

Não dialogues com a tentação. Deixa-me que to repita: tem a coragem de fugir; e a fortaleza de não experimentar a tua debilidade, vendo até onde podias chegar. Corta, sem concessões! (Sulco, 137)

Não tens desculpa nenhuma. A culpa é só tua. Se sabes (conheces-te o suficiente) que por esse caminho – com essas leituras, com essa companhia... – podes acabar no precipício, porque te obstinas em pensar que talvez seja um atalho que facilita a tua formação ou que amadurece a tua personalidade? Muda radicalmente de plano, ainda que te exija mais esforço, menos diversões ao alcance da mão. Já são horas de te portares como uma pessoa responsável. (Sulco, 138)

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Sancte Michael Archangele...

Sancte Michael Archangele, defende nos in prælio; contra nequitiam et insidias diaboli esto præsidium. Imperet illi Deus, supplices deprecamur: tuque, Princeps militiæ cælestis, Satanam aliosque spiritus malignos, qui ad perditionem animarum pervagantur in mundo, divina virtute in infernum detrude. Amen.


segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Omnes Sancti et Sanctae Dei, intercedite pro nobis!

Ser santo é amar... é amar como Deus, é amar com o nosso coração unido ao de Jesus Cristo, ou melhor ainda, com o Seu!, o Seu em nós! Este amor, para chegar a ser verdadeiro, autêntico, tem de passar por várias provas, a uns de uma maneira a outros de outra... Porque «O Senhor flagela os que d' Ele se aproximam», purifica, santifica aquele que reconhece como filho, não para seu mal, é claro, mas para que este se desenvolva e cresça em maturidade, em santidade, para que atinja a gloriosa liberdade dos filhos de Deus e seja perfeito na Caridade. Só o Amor Misericordioso de Deus pode operar na alma, só o Seu Espírito pode acender na alma a chama do puro Amor e transformar os corações... Só Ele pode infundir Fortaleza para perseverar na fidelidade à Sua eterna aliança nos momentos de "noite" - de dúvidas, de temor, de apatia, de tribulação e tentação. Pode-se tropeçar..., cair..., mas o Amor misericordioso de Deus levanta-nos das regiões da morte, pega em nós ao colo, faz-nos repousar no Seu Coração e gozar da suavidade da Sua Paz... E, como dizem os místicos, fere... fere de amor e logo..., logo se esconde... E para quê? Para que o desejo aumente com a espera, se fortaleça e se torne autêntico... É o sofrimento de quem julga amar pouco, quando já tanto ama; é o saber-se tão miserável e indigno de tantos dons e graças; são ânsias infinitas de amar Jesus, de Lhe dar almas, de desejar a própria morte para estar com o seu Senhor, onde finalmente o poderá amar plenamente e O verá tal como Ele é. Talvez seja assim o martírio de Amor... Não importa saber... O que importa é amar... «No Coração da minha Mãe a Igreja eu serei o Amor» (S. Teresinha).