sábado, 23 de abril de 2011

"No silêncio da cruz, no silêncio da morte"


Palavras do Papa no final da Via Sacra, no Coliseu
(22 de Abril de 2011):

Amados irmãos e irmãs,

Esta noite, na fé, acompanhámos Jesus, que percorre o último trecho do seu caminho terreno, o trecho mais doloroso: o do Calvário. Ouvimos o alarido da multidão, as palavras da condenação, o ludíbrio dos soldados, o pranto da Virgem Maria e das outras mulheres. Agora mergulhámos no silêncio desta noite, no silêncio da cruz, no silêncio da morte. É um silêncio que guarda em si o peso do sofrimento do homem rejeitado, oprimido, esmagado, o peso do pecado que desfigura o seu rosto, o peso do mal. Esta noite, no íntimo do nosso coração, revivemos o drama de Jesus, carregado com o sofrimento, o mal, o pecado do homem.

E agora, que resta diante dos nossos olhos? Resta um Crucificado; uma Cruz levantada no Gólgota, uma Cruz que parece determinar a derrota definitiva d’Aquele que trouxera a luz a quem estava mergulhado na escuridão, d’Aquele que falara da força do perdão e da misericórdia, que convidara a acreditar no amor infinito de Deus por cada pessoa humana. Desprezado e repelido pelos homens, está diante de nós o «homem de dores, afeito ao sofrimento, como aquele a quem se volta a cara» (Is 53, 3).

Mas fixemos bem aquele homem crucificado entre a terra e o céu, contemplemo-lo com um olhar mais profundo, e descobriremos que a Cruz não é o sinal da vitória da morte, do pecado, do mal, mas o sinal luminoso do amor, mais ainda, da imensidão do amor de Deus, daquilo que não teríamos jamais podido pedir, imaginar ou esperar: Deus debruçou-Se sobre nós, abaixou-Se até chegar ao ângulo mais escuro da nossa vida, para nos estender a mão e atrair-nos a Si, levar-nos até Ele. A Cruz fala-nos do amor supremo de Deus e convida-nos a renovar, hoje, a nossa fé na força deste amor, a crer que em cada situação da nossa vida, da história, do mundo, Deus é capaz de vencer a morte, o pecado, o mal, e dar-nos uma vida nova, ressuscitada. Na morte do Filho de Deus na cruz, há o gérmen de uma nova esperança de vida, como o grão de trigo que morre no seio da terra.

Nesta noite carregada de silêncio, carregada de esperança, ressoa o convite que Deus nos dirige através das palavras de Santo Agostinho: «Tende fé! Vireis a Mim e haveis de saborear os bens da minha mesa, como é verdade que Eu não recusei saborear os males da vossa mesa... Prometi-vos a minha vida... Como antecipação, franqueei-vos a minha morte, como que para vos dizer: Convido-vos a participar na minha vida... É uma vida onde ninguém morre, uma vida verdadeiramente feliz, que oferece um alimento incorruptível, um alimento que restabelece e nunca acaba. A meta a que vos convido... é a amizade como o Pai e o Espírito Santo, é a ceia eterna, é a comunhão comigo ... é participar na minha vida» (cf. Discurso 231, 5).

Fixemos o nosso olhar em Jesus Crucificado e peçamos, rezando: Iluminai, Senhor, o nosso coração, para Vos podermos seguir pelo caminho da Cruz; fazei morrer em nós o «homem velho», ligado ao egoísmo, ao mal, ao pecado, e tornai-nos «homens novos», mulheres e homens santos, transformados e animados pelo vosso amor.

[© Libreria Editrice Vaticana]
 
 
Fonte: Zenit

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Relógio da Paixão


O relógio da Paixão tem a finalidade de nos fazer lembrar, ao longo das 24 horas do dia, os sentimentos que Nosso Senhor Jesus Cristo suportou na Sua Paixão.
É o relógio que sempre marca a hora do amor, seja qual for o acontecimento que esteja a decorrer. É um relógio que nos pode ajudar a passar, por exemplo, um dia de retiro centrado na Paixão de Jesus.
Poderia ter sido este o relógio dos acontecimentos da Paixão de Jesus, conforme nos são apresentados pelos relatos evangélicos.


Oferecimento

Eterno Pai, eu Vos ofereço todas as reparações que Jesus mereceu com tantos sofrimentos durante esta hora..., na qual... (citar o tema da hora escolhida), unindo-me espiritualmente, tanto quanto me é possível, às santas intenções que então animavam a Sua Alma adorável, desejando que tudo em mim, por Ele e com Ele, sirva para Vossa maior glória, para a minha salvação e para a salvação do mundo inteiro.

Horas da noite
 
19:00 - Jesus lava os pés aos Seus discípulos.
20:00 - Jesus institui a Eucaristia e o Sacerdócio. Despede-se dos Seus discípulos e dá-lhes o Mandamento Novo.  
21:00 - Jesus ora ao Pai no Horto das Oliveiras.
22:00 - Jesus entra em agonia e sua sangue.
23:00 - Jesus recebe o beijo do traidor Judas e é preso como se fosse um malfeitor.
24:00 - Jesus é levado ao sumo sacerdote Anás e esbofeteado por um dos seus servos.
01:00 - Jesus é acusado por falsas testemunhas e condenado à morte no tribunal de Caifás.
02:00 - Jesus é negado por Pedro.
03:00 - Jesus é objecto de toda a classe de injúrias e de desprezos.
04:00 - Jesus é metido na prisão.
05:00 - Na prisão, os soldados vendam os olhos de Jesus, e zombam d'Ele.
06:00 - Jesus é levado ao tribunal de Pilatos, sendo acusado de criminoso e blasfemo.
 
Horas do dia
 
07:00 - Jesus é levado a Herodes e por este desprezado e tratado como louco.
08:00 - Jesus é devolvido a Pilatos e flagelado.
09:00 - Jesus é coroado de espinhos e apresentado ao povo por Pilatos com as palavras: Eis o Homem.
10:00 - A multidão pede a morte e Jesus e a libertação de Barrabás.
11:00 - Pilatos lava as mãos em sinal de inocência e entrega Jesus para ser crucificado.
12:00 - Jesus é despojado das Suas vestes e crucificado.
13:00 - Jesus perdoa aos Seus inimigos, o Paraíso ao bom ladrão e dá-nos por mãe a Sua própria Mãe.
14:00 - Jesus, desde o alto da cruz, diz: Tenho sede; e: Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?.
15:00 - Jesus, com voz forte, pronuncia as Suas últimas palavras: Pai, nas Tuas mãos entrego o Meu espírito. E morre.
16:00 - O coração de Jesus é atravessado por uma lança.
17:00 - Jesus é descido da cruz e colocado nos braços de Sua Mãe.
18:00 - Jesus é sepultado.
 

Fonte: Sá, P. (2005). Aos Pés do Crucificado. 1ª Edição. Santa Maria da Feira: Edições Passionistas.

Oração à Sagrada Paixão

Senhor Jesus Cristo, fazei que a Vossa Paixão seja para mim virtude que me fortifique, proteja e defenda. Que as Vossas Chagas sejam para mim a fonte de onde me vem o perdão dos pecados; o Vosso Sangue, a bebida que alimenta; a Vossa Morte, a certeza da vida e a glória sem fim.

Que em todos estes tesouros eu encontre a paz, a alegria e a perseverança em Vos servir. Amen.


Fonte: Sá, P. (2005). Aos Pés do Crucificado. 1ª Edição. Santa Maria da Feira: Edições Passionistas.


quarta-feira, 30 de março de 2011

Exorcismo e Fé

Pe. Dermin: se fé da Igreja enfraquece, exorcismo perde eficácia


Começa um curso sobre exorcismo no “Regina Apostolorum” de Roma

ROMA, terça-feira, 29 de março de 2011 (ZENIT.org) - O Pe. François Dermin, presidente nacional do Grupo de Pesquisa e Informação Religiosa (GRIS, na sigla em italiano), prior do convento de São Domingos de Bolonha e professor de teologia moral, italiano com origens canadenses, é um dos professores do curso de exorcismo que será realizado esta semana no Ateneu Pontifício ‘Regina Apostolorum', em Roma.

ZENIT: Hoje se conhece mais sobre o demônio do que se conhecia, por exemplo, na Idade Média?


Pe. François Dermin: Do ponto de vista teológico, não se sabe mais do que se sabia na época. Grandes doutores da Igreja, como São Tomás, São Boaventura e Santo Agostinho, e tantos outros santos, falaram do demônio de maneira profunda, também especulativa, filosófica e teológica.

No entanto, podemos saber mais sobre algumas doenças que no passado eram consideradas manifestações da ação diabólica, mas que são apenas doenças. Por exemplo, no passado, a epilepsia era relacionada a uma forma de possessão diabólica, quando, na verdade, é uma doença a ser curada.

ZENIT: O que distingue um caso de possessão, infestação ou manifestação diabólica de uma doença?

Pe. François Dermin: Esta é, a meu ver, uma das principais dificuldades do exorcista, pois ele deve discernir e esta é a parte central do ministério exorcístico. Porque algumas pessoas acreditam estar à mercê de uma ação do demônio, não necessariamente possuídas, mas perseguidas, humilhadas, obcecadas ou coisas assim.

Portanto, temos de perceber se são pessoas que sofrem alucinações ou algo do tipo. Nestes casos, é preciso falar com elas e, quando necessário, deve-se recorrer a médicos e psiquiatras. Por exemplo, quando eu era exorcista em minha diocese, minha equipe incluía dois padres e dois psiquiatras, a quem acudíamos em caso de dúvidas.

O discernimento nem é sempre imediato. Conversando com as pessoas ou sobre elas, você percebe se há algumas reações - não necessariamente espetacular, como no caso de possessão -, mas reações particulares, como uma sucessão de calor e frio, desmaios ou se a pessoa começa a arrotar ou fazer algo assim. O discernimento é feito também com a oração. Devemos recordar que o exorcismo é uma obra sobrenatural e que o personagem principal é Deus.


ZENIT: Jesus realizou exorcismos.

Pe. François Dermin: João Paulo II dizia que um dos principais ministérios de Jesus era o exorcismo. Não foi por acaso que ele realizou tantos, embora na Bíblia e nos Evangelhos nem sempre seja clara a distinção entre cura e libertação.
O exorcismo é frequentemente associado, quase exclusivamente, à possessão, mas muitas vezes o exorcista tem de lidar com pessoas que são vítimas de outras formas de perseguição diabólica: infestações de casas onde se ouvem barulhos, móveis que se mexem ou se quebram etc.

Há também casos de possessão em que as pessoas ouvem vozes dentro de si. Isso geralmente acontece quando se pratica o espiritismo. É claro que você tem que verificar se não são casos de esquizofrenia.

A libertação também ocorre através de uma jornada espiritual. A pessoa tem que mudar a sua vida, frequentar os sacramentos etc.


ZENIT: Um exorcismo é suficiente ou é um processo?


Pe. François Dermin: Aqui, estamos tocando um tema muito delicado. Tenho ouvido testemunhos de exorcistas de quarenta ou cinquenta anos atrás, que mostram que um só exorcismo era suficiente para libertar uma pessoa. Hoje pode durar meses e, às vezes, anos. E nós temos que refletir sobre por que isso acontece.

Alguns podem pensar que isso se deve a uma sociedade que se afastou de Deus, de certa forma, que apostatou.

Aqui, no entanto, dou uma opinião absolutamente pessoal: o exorcista não faz uma oração pessoal, mas ora em nome da Igreja. E se a fé se enfraquece no interior da Igreja, não excluo a possibilidade de que isso contribua para a redução da eficácia do exorcismo.


ZENIT: Qual é a relação entre as fórmulas do exorcismo e a fé?


Pe. François Dermin: As fórmulas sem a fé não valem nada. Mas não é somente a fé do exorcista, e sim a fé da Igreja. Aqui, quando eu digo "Igreja", quero dizer a Igreja institucional que sempre acreditou e ensinou a realidade sobre o demônio e a possibilidade concreta de perseguição por parte dele. Falo, no entanto, dos homens de Igreja. Nem todos os padres - e até bispos - acreditam nessas coisas. Eu entendo que esta é uma questão muito delicada.


ZENIT: Não a Igreja gloriosa, mas a militante?


Pe. François Dermin: A Igreja aqui na terra pode ser tentada também com o secularismo. É o racionalismo. Existe o risco de enfraquecer a fé sobre a existência do demônio.


ZENIT: O sacerdote que exerce o ministério do exorcismo tem de adquirir experiência.

Pe. François Dermin: Nunca se termina de aprender e a experiência enriquece sempre, é fundamental. O problema hoje é que os exorcistas se tornam exorcistas sem um professor para ensiná-los. Pela minha parte, eu tive pouca experiência prática e, em certo sentido, tive de lidar com isso, cometendo inclusive alguns erros. A experiência é adquirida gradualmente. O ideal seria ter professores neste campo.

Nem sempre encontramos uma explicação para tudo; no entanto, devemos acreditar que Deus está presente, que age, que estamos do lado do vencedor e que o demônio quer incomodar o homem, afastá-lo de Deus ou até mesmo destruí-lo. E que Deus dá à Igreja os meios para combater vitoriosamente o demônio.
 
 
Fonte: Zenit

sábado, 19 de março de 2011

Sancte Ioseph, ora pro nobis!

Vídeo de São Josemaria: "A devoção a S.José"

O Fundador do Opus Dei via em São José o pai forte e carinhoso que Cristo quis ter na terra. Pedia-lhe que o ensinasse a tratar Maria e Jesus: “Como o abraçaria, como o beijaria!...” (2’15’’).



Fonte: Opus Dei


quarta-feira, 9 de março de 2011

Quaresma...

Dos escritos de S. Josemaría Escrivá:

Não podemos considerar esta Quaresma como uma época mais, repetição cíclica do tempo litúrgico; este momento é único; é uma ajuda divina que é necessário aproveitar. Jesus passa ao nosso lado e espera de nós - hoje, agora - uma grande mudança.
Cristo que passa, 59

O chamamento do Bom Pastor chega até nós: Ego vocavi te nomine tuo, Eu chamei-te, a ti, pelo teu nome! É preciso responder - amor com amor se paga - dizendo-Lhe Ecce ego quia vocasti me - chamaste por mim e aqui estou! Estou decidido a que não passe este tempo de Quaresma como passa a água sobre as pedras, sem deixar rasto. Deixar-me-ei empapar, transformar; converter-me-ei, dirigir-me-ei de novo ao Senhor, querendo-Lhe como Ele deseja ser querido.
Cristo que passa, 59

A conversão é coisa de um instante; a santificação é tarefa para toda a vida. A semente divina da caridade, que Deus pôs nas nossas almas, aspira a crescer, a manifestar-se em obras, a dar frutos que correspondam em cada momento ao que é agradável ao Senhor. Por isso, é indispensável estarmos dispostos a recomeçar, a reencontrar - nas novas situações da nossa vida - a luz, o impulso da primeira conversão. E essa é a razão pela qual havemos de nos preparar com um exame profundo, pedindo ajuda ao Senhor para podermos conhecê-Lo melhor e conhecer-nos melhor a nós mesmos. Não há outro caminho para nos convertermos de novo.
Cristo que passa, 58

É preciso decidir-se. Não é lícito viver tentando manter acesas, como diz o povo, uma vela a S. Miguel e outra ao Diabo. É preciso apagar a vela do Diabo. Temos de consumir a vida fazendo-a arder inteiramente ao serviço do Senhor. Se o nosso empenho pela santidade é sincero, se temos a docilidade de nos abandonar nas mãos de Deus, tudo correrá bem. Porque Ele está sempre disposto a dar-nos a sua graça e, especialmente neste tempo, a graça de uma nova conversão, de uma melhoria da nossa vida de cristãos.
Cristo que passa, 59

Voltar à casa do nosso Pai Deus

De certo modo, a vida humana é um constante voltar à casa do nosso Pai, um regresso mediante a contrição, a conversão do coração que significa o desejo de mudar, a decisão firme de melhorar a nossa vida e que, portanto, se manifesta em obras de sacrifício e de doação; regresso a casa do Pai, por meio do sacramento do perdão, em que, ao confessar os nossos pecados, nos revestimos de Cristo e nos tornamos assim seus irmãos, membros da família de Deus.
Cristo que passa, 64

Muitas conversões, muitas decisões de entrega ao serviço de Deus, foram precedidas de um encontro com Maria. Nossa Senhora fomentou os desejos de busca, activou maternalmente a inquietação da alma, fez aspirar a uma transformação, a uma vida nova. E assim, o fazei o que Ele vos disser converteu-se numa realidade de amorosa entrega, na vocação cristã que ilumina desde então toda a nossa vida.
Cristo que passa, 149


Fonte: Opus Dei

quarta-feira, 2 de março de 2011

O conhecimento de Jesus Cristo...

Seguindo a linha de pensamento de S. Tomás de Aquino, o conhecimento humano de Jesus Cristo é pleno, afirmando que em Jesus há uma ciência tripla: a ciência beatífica, a ciência infusa e a adquirida, a qual devia ser perfeita e abarcar tudo. S. João diz que o Divino Mestre conhecia o interior, lia os corações (c.f. Jo 6, 61) e, na Carta aos Colossenses, cap. 2, 2, diz-se que em Cristo «estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência», tesouros de conhecimento em que o sujeito é o Verbo encarnado…

«O Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus» (Jo 1, 1)… «O Verbo era a luz verdadeira que, vindo ao mundo, a todo o homem ilumina (Jo 1, 9). O Verbo é, segundo Tertuliano, a Palavra, o Pensamento, a Força, com que Deus tudo fez, possuindo a essência mesma de Deus enquanto é espírito. «Do Espírito Divino nasce um Espírito, Deus nasce de Deus, como de uma luz se acende uma outra»; e, mais adiante, acrescenta que este raio de Luz, de Deus, «desceu numa virgem, incarnou no seu seio: nasceu, homem unido a um Deus».

O Verbo conhecia o Pai, escutara o Pai e transmitia tudo quanto ouvira do Pai, deduzindo-se, pois, que Jesus através do Verbo tinha plena consciência, uma consciência inata de ser filho de Deus, da missão incumbida pelo Pai, uma consciência pura, recta, sublime, imersa na profundidade de Deus, absorta no seio do Pai pelo vínculo do Amor eterno, do Espírito Santo. A vivência trinitária não foi interrompida pela encarnação do Verbo, manteve-se. O Verbo continuou o Seu amor Kenótico em Jesus de Nazaré, amor que se estendeu a todos os homens na oferta de Si mesmo a eles, em obediência ao Pai.

Jesus é a Palavra do Pai por quem tudo foi criado, é a Sabedoria de Deus. A sua condição humana, que esconde a glória que lhe é intrínseca, e que parece absorver o seu pleno conhecimento humano e divino, não impede que em Cristo, como Verbo de Deus, se perca ou diminua a Sua condição divina, tão n’Ele enraizada, tão n’Ele escondida, tão n’Ele apagada para os homens de todos os tempos...

... Contudo, o conhecimento divino que o Verbo possui da sua identidade divina está de certa forma sujeito na encarnação à lei da Kenósis. Por isso, como afirma a cristologia actual, o seu conhecimento se reveste de certa forma de carácter intuitivo e global; é sumamente rico, mas, também, susceptível de desenvolvimento. A sua humildade (quando pergunta a quantidade de pães que há para depois fazer o milagre da multiplicação) e, mais ainda, a sua psicologia divina, levam-no muitas vezes a fazer perguntas, não por que não soubesse a resposta, mas para que os outros respondendo se consciencializassem da sua fé n’Ele.

A porta da Sabedoria é Cristo, O qual é: «Caminho, Verdade e Vida» (Jo 14, 6), Luz que a todo o homem ilumina, Verdade que o torna livre e, por isso, capaz de conhecer – até onde a Sabedoria Divina o permite – a Eterna e Imutável Verdade: DEUS.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A invocação do Santíssimo Nome de Jesus

Dos escritos de Calisto e Inácio Xanthopouloi (séc. XIV) in Filocalia:

O princípio de toda a actividade agradável a Deus é a invocação, cheia de fé, do Nome salvador de Nosso Senhor Jesus Cristo. É ele quem nos diz: "Sem mim, nada podeis fazer" (Jo 15, 5). Depois, a paz, pois se deve "orar, diz ele, sem ira e sem animosidade" (1 Tm 2, 8); e a caridade, porque "Deus é amor" e aquele "que permanece no amor permanece em Deus e Deus permanece nele" (1Jo 4, 16). A paz e a caridade não somente tornam a oração agradável a Deus, mas, por sua vez, nascem da oração, como raios divinos iguais e, através dela, crescem e se consomem...

Nossos gloriosos mestres e doutores, com muita sabedoria, movidos pelo Espírito Santo que habita neles, ensinam a todos nós- principalmente aos que querem aceitar o desafio da deificante hesíquia - que tenhamos por ocupação e exercício contínuos o santíssimo e dulcíssimo Nome; que o levemos, sem cessar, no nosso espírito, no nosso coração e nos nossos lábios...

(...)

... Todos os métodos, regras e exercícios não têm outra origem e razão, além da incapacidade de orar no nosso coração, com pureza e sem distracção. Quando, através da benevolência e da graça de N. S. Jesus Cristo conseguimos isso, abandonamos a pluralidade, a diversidade e a divisão e nos unimos imediatamente, acima de quaisquer palavras, ao Uno, ao Simples, Àquele que unifica. É o "Deus unido aos deuses e conhecido por eles" do Teólogo, mas é um privilégio raríssimo.

Há cinco obras que honram a Deus, pelas quais devem passar, dia e noite, quem é noviço em hesíquia: a oração, isto é, a lembrança do Senhor Jesus Cristo introduzida ininterruptamente no coração, pelo nariz, lentamente; expirada em seguida, com os lábios cerrados, sem nenhum outro pensamento nem imaginação.

(...)

As palavras "Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus" dirigem o espírito, de modo imaterial, para aquele cujo nome enunciam. Pelas palavras "tende piedade de mim",  o espírito volta-se sobre si próprio, como se não pudesse suportar a ideia de não orar para si mesmo. Quando tiver progredido no amor, através da experiência, ele vai-se dirigir unicamente para o Senhor Jesus Cristo, pois terá a certeza evidente do que vem depois (do perdão dos seus pecados).


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Discernindo os pensamentos...

Dos Exercícios Espirituais de
Sto. Inácio de Loyola:

32 - Exame Geral de Consciência
para se purificar e para melhor se confessar

Elementos de discernimento

Pressupondo haver em mim três pensamentos, a saber: um que é propriamente meu, que sai da minha liberdade e querer; e outros dois que vêm de fora: um que vem do bom espírito e o outro do mau.

33 - Pensamentos. Há duas maneiras de merecer no mau pensamento que vem de fora.
     Primeira, vem, por exemplo, um mau pensamento de cometer um pecado mortal. Resisto-lhe prontamente, e fica vencido.

34 - A Segunda maneira de merecer é quando me vem aquele mesmo mau pensamento e eu lhe resisto, e torna-me a vir, uma e outra vez, e eu resisto sempre, até que o pensamento se vai vencido. Esta segunda maneira é de mais merecimento que a primeira.

35 - Peca-se venialmente quando vem o mesmo pensamento de pecar mortalmente, e a pessoa lhe dá atenção, demorando-se um pouco nele, ou recebendo alguma deleitação sensual, ou havendo alguma negligência em rejeitar o tal pensamento.

36 - Há duas maneiras de pecar mortalmente:
     A primeira é quando se dá consentimento ao mau pensamento, para o pôr logo em prática conforme consentiu, ou para o executar se pudesse.

37 - A segunda maneira de pecar mortalmente é quando se põe em acto aquele pecado; e é maior por três razões: a primeira, pelo maior espaço de tempo; a segunda, pela maior intensidade; a terceira, pelo maior dano das duas pessoas.



quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Tú me mueves, Señor...


(Para escutar: pôr em pausa, em
baixo, a música de fundo do blog)


No me mueve, mi Dios, para quererte
el cielo que me tienes prometido,
ni me mueve el infierno tan temido
para dejar por eso de ofenderte.

Tú me mueves, Señor, muéveme el verte
clavado en una cruz y escarnecido,
muéveme ver tu cuerpo tan herido,
muévenme tus afrentas y tu muerte.

Muéveme, en fin, tu amor, y en tal manera,
que aunque no hubiera cielo, yo te amara,
y aunque no hubiera infierno, te temiera.

No me tienes que dar porque te quiera,
pues aunque lo que espero no esperara,
lo mismo que te quiero te quisiera.


- Autor desconhecido. Julga-se que poderá ser atribuído a várias personalidades, tais como: S. João da Cruz; S. Teresa; Padre Torres, capuchinho; Padre Antonio Panes, franciscano.


sábado, 29 de janeiro de 2011

Reverência, adoração, fé e vida...

Retirado do excelente blog: Una Voce Portugal

Mais do que palavras: Sinais exteriores de fé pelo celebrante

O significado de genuflexões e outros gestos

Pe. Nicola Bux


ROMA, janeiro 21, 2010 ( Zenit.org ). – A fé na presença do Senhor, e em particular na sua presença Eucarística, é expressa de forma exemplar pelo padre quando ele ajoelha-se com profunda reverência durante a Santa Missa ou antes da Eucaristia.

Na liturgia pós-conciliar estes actos de devoção foram reduzidas ao mínimo em nome da sobriedade. O resultado é que as genuflexões tornaram-se uma raridade, ou um gesto superficial. Nós tornamo-nos mesquinhos com os nossos gestos de reverência diante do Senhor, embora, muitas vezes, elogiamos os Judeus e Muçulmanos pelo seu fervor e maneira de rezar.

Mais do que palavras, uma genuflexão manifesta a humildade do padre, que reconhece-se apenas como um ministro, e a sua dignidade, dado ser capaz de tornar presente o Senhor no sacramento. No entanto, há outros sinais de devoção.

Quando o sacerdote estende as mãos em oração, ele indica a súplica do pobre e humilde. A Instrução Geral do Missal Romano (IGMR) estabelece que o padre “quando ele celebra a Eucaristia, portanto, deve servir a Deus e ao povo com dignidade e humildade, e pelo seu porte e pela maneira como ele diz as palavras divinas deve transmitir aos fiéis a presença viva de Cristo “(n. 93). Uma atitude de humildade está em consonância com o próprio Cristo, manso e humilde de coração. Ele deve crescer e eu diminuir.

Ao caminhar para o altar, o sacerdote deve ser humilde, sem ostentação, sem ceder em olhar para a direita e para a esquerda, como se buscasse aplausos. Em vez disso, deve olhar para Jesus; Cristo crucificado está presente no tabernáculo, diante do qual o sacerdote deve curvar-se. O mesmo é feito diante das imagens sagradas exibidas na abside atrás ou nas laterais do altar, a Virgem, o santo titular, os outros santos.

Segue o beijo reverente do altar e, eventualmente, o incenso, o sinal da cruz e a sóbria saudação dos fiéis. Após a saudação é o acto penitencial, a ser realizado profundamente com os olhos baixos. Na forma extraordinária, os fiéis ajoelham-se, imitando o publicano agradável ao Senhor.

O celebrante não deve levantar a sua voz e deve manter um tom claro para a homilia, mas deve ser submissa e suplicante em oração, solene quando cantada. “Nos textos que deverão ser ditos numa voz alta e clara, quer pelo sacerdote quer pelo diácono, ou pelo leitor, ou por todos, o tom de voz deve corresponder ao gênero do próprio texto, ou seja, dependendo se se trata de uma leitura, uma oração, um comentário, uma aclamação, ou um texto cantado; o tom também deve ser adaptado à forma de celebração e à solenidade da reunião “(IGMR, n. 38).

Ele tocará os dons sagrados com admiração, e purificará os vasos sagrados com calma e atenção, em consonância com o apelo de tantos santos e sacerdotes anteriores a ele. Ele abaixará a cabeça sobre o pão e o cálice aquando da pronunciação das palavras de consagração de Cristo e na invocação do Espírito Santo (epiclesi). Ele erguê-los-á separadamente, fixando o seu olhar sobre eles em adoração e, em seguida, baixá-los-á em meditação. Ele ajoelhar-se-á duas vezes em adoração solene. Ele continuará com recolecção e um tom de oração desde a anáfora à doxologia, levantando os dons sagrados em oferta ao Pai.

Então, ele recitará o Pai Nosso com as mãos erguidas, sem ter nada nas mãos, porque isso é próprio do rito da paz. O padre não deixará o Sacramento no altar para dar o sinal de paz fora do presbitério, ao invés disso ele quebrará a Hóstia de uma forma solene e visível, ajoelhando-se então diante da Eucaristia, rezando em silêncio. Ele irá pedir novamente para ser salvo de toda a indignidade, de não comer e beber a sua própria condenação e ser protegido para a vida eterna pelo Corpo santo e Sangue precioso de Cristo. Então apresentará a Hóstia aos fiéis para a comunhão, rezando “Dominum non sum dignus”, e fazendo uma vénia comungará primeiro, e assim será um exemplo para os fiéis.

Após a comunhão, o silêncio de acção de graças pode ser feito de pé, melhor do que sentado, em sinal de respeito, ou de joelhos, se for possível, como fez João Paulo II até ao final quando celebrava na sua capela particular, com a cabeça abaixada e as mãos unidas. Ele pedia que o dom recebido por ele fosse um remédio para a vida eterna, como na fórmula que acompanha a purificação dos vasos sagrados; muitos fiéis fazem-no e são um exemplo.

Não deverão a patena ou a taça e o cálice (vasos que são sagrados por causa do que contêm) serem cobertos “louvavelmente” (IGMR 118;. Cf 183), em sinal de respeito – e também por razões de higiene – como as Igrejas Orientais fazem? O sacerdote, após a saudação e bênção final, subindo ao altar para beijá-lo, voltará a levantar os olhos para o crucifixo e fará uma vénia e genuflexão diante do tabernáculo. Então ele voltará para a sacristia, recolhido, sem dissipar com olhares e palavras a graça do mistério celebrado.

Desta forma os fiéis irão ser ajudados a compreender os sinais sagrados da liturgia, que é algo sério, em que tudo tem um significado para o encontro com o mistério de Deus.

* * * * * *

Pe. Nicola Bux é professor de Liturgia Oriental em Bari e consultor da Congregação para a Doutrina da Fé, para as Causas dos Santos, para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, bem como do Ofício de Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice.


Fonte: Zenit

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Eliminação do post anterior - justificação...

Recebi hoje de manhã um mail de uma pessoa amiga - da Tradição, claro está -, muito bem enraízada na sã doutrina, e a quem agradeço o alerta feito. No assunto, a seguinte frase: «D'a maravilhosa vida, obra e doutrina de Wunibald Muller»...

Triste, bem triste... Por acaso, recordo-me de uma vez ter folheado o livro citado no artigo que publiquei no post anterior - agora já eliminado -, e de ter achado algo "suspeito", de modo que, o coloquei assim bem escondido na estante... Trata-se do livro: «Deixar-se tocar pelo sagrado», da Editora Vozes.

Ontem, talvez por má inspiração (o outro não nos larga, infelizmente, nem um só segundo! lol) resolvi visitar a minha estante... Reli, apressadamente o tal livro e, apesar de algumas coisas me terem parecido, novamente, um pouco subjectivas: muitas vezes Deus é desigando por «o sagrado». Se for uma medida estratégica para captar os vários públicos, percebo...; a sacralização do acto sexual, o qual também percebo desde que na sua concepção original, entre um homem e uma mulher, coisa que pelos vistos para ele é indiferente..., etc.

Fiquei a saber que esse senhor é um romancista alemão, teólogo católico e psicólogo da Abadia Beneditina de Münsterschwarzach; trabalha em estreita colaboração com o conhecido beneditino Anselm Grün (conferencista no VI Simpósio do Clero de Portugal, realizado em Fátima, no ano de 2009; por acaso cruzei-me com ele no Santuário, e foi até muito simpático)...

... PIOR...

... É CONTRA O CELIBATO DOS PADRES, A FAVOR DA ORDENAÇÃO DAS MULHERES E A FAVOR DA HOMOSSEXUALIDADE NOS PADRES E EM GERAL...

E ainda se diz: Católico?!?!?!...

Penso que o que publiquei não contém nenhuma heresia, aliás, houve uma parte que passei à frente por não concordar totalmente com o pensamento do autor... Contudo, aviso agora que, mais logo, o retirarei do blog... Há muita porcaria por aí... Costumo ser bem prudente com o que publico... Deverei ser ainda mais, sem relaxar um só segundo... Publiquei por que, apesar de me parecer, como já disse, um pouco subjectivo e um pouco "liberal" na forma de abordar certas temáticas, achei também, de certa forma poético, filosófico até, enfim, interessante... Foi por aí que me deixei atrair..., e por achar que seria uma forma de atrair as pessoas para Deus, certos públicos: a finalidade principal do blog é «despertar os corações para o infinito Amor de Deus-Trindade».

Ainda bem que tenho alguns «polícias», ou melhor «anjos da guarda» através dos quais Deus nosso Senhor me levanta e me ensina a não vacilar e a não me desviar da META para a qual corro, da SANTIDADE.

Mas não deixa de ser triste a confusão e as trevas que envolvem a Santa Igreja. Triste, bem triste... Todas estas ideias estão já espalhadas nas mentes dos sacerdotes e de muitas pessoas consagradas... É... Infelizmente... Temos que nos agarrar ao Santo Evangelho, ao Verbum Domini, ao Sucessor de Pedro..., à oração, aos sacramentos, vividos com coerência de vida. Só assim caminharemos solidamente no único caminho que conduz à Vida e que nos faz, já aqui, participantes da vida divina - a felicidade eterna, a Paz, a Alegria, o Amor - , ou seja, Jesus Cristo nosso Deus e Senhor. Glória a Ele para sempre! Amen.