quarta-feira, 9 de março de 2011

Quaresma...

Dos escritos de S. Josemaría Escrivá:

Não podemos considerar esta Quaresma como uma época mais, repetição cíclica do tempo litúrgico; este momento é único; é uma ajuda divina que é necessário aproveitar. Jesus passa ao nosso lado e espera de nós - hoje, agora - uma grande mudança.
Cristo que passa, 59

O chamamento do Bom Pastor chega até nós: Ego vocavi te nomine tuo, Eu chamei-te, a ti, pelo teu nome! É preciso responder - amor com amor se paga - dizendo-Lhe Ecce ego quia vocasti me - chamaste por mim e aqui estou! Estou decidido a que não passe este tempo de Quaresma como passa a água sobre as pedras, sem deixar rasto. Deixar-me-ei empapar, transformar; converter-me-ei, dirigir-me-ei de novo ao Senhor, querendo-Lhe como Ele deseja ser querido.
Cristo que passa, 59

A conversão é coisa de um instante; a santificação é tarefa para toda a vida. A semente divina da caridade, que Deus pôs nas nossas almas, aspira a crescer, a manifestar-se em obras, a dar frutos que correspondam em cada momento ao que é agradável ao Senhor. Por isso, é indispensável estarmos dispostos a recomeçar, a reencontrar - nas novas situações da nossa vida - a luz, o impulso da primeira conversão. E essa é a razão pela qual havemos de nos preparar com um exame profundo, pedindo ajuda ao Senhor para podermos conhecê-Lo melhor e conhecer-nos melhor a nós mesmos. Não há outro caminho para nos convertermos de novo.
Cristo que passa, 58

É preciso decidir-se. Não é lícito viver tentando manter acesas, como diz o povo, uma vela a S. Miguel e outra ao Diabo. É preciso apagar a vela do Diabo. Temos de consumir a vida fazendo-a arder inteiramente ao serviço do Senhor. Se o nosso empenho pela santidade é sincero, se temos a docilidade de nos abandonar nas mãos de Deus, tudo correrá bem. Porque Ele está sempre disposto a dar-nos a sua graça e, especialmente neste tempo, a graça de uma nova conversão, de uma melhoria da nossa vida de cristãos.
Cristo que passa, 59

Voltar à casa do nosso Pai Deus

De certo modo, a vida humana é um constante voltar à casa do nosso Pai, um regresso mediante a contrição, a conversão do coração que significa o desejo de mudar, a decisão firme de melhorar a nossa vida e que, portanto, se manifesta em obras de sacrifício e de doação; regresso a casa do Pai, por meio do sacramento do perdão, em que, ao confessar os nossos pecados, nos revestimos de Cristo e nos tornamos assim seus irmãos, membros da família de Deus.
Cristo que passa, 64

Muitas conversões, muitas decisões de entrega ao serviço de Deus, foram precedidas de um encontro com Maria. Nossa Senhora fomentou os desejos de busca, activou maternalmente a inquietação da alma, fez aspirar a uma transformação, a uma vida nova. E assim, o fazei o que Ele vos disser converteu-se numa realidade de amorosa entrega, na vocação cristã que ilumina desde então toda a nossa vida.
Cristo que passa, 149


Fonte: Opus Dei

quarta-feira, 2 de março de 2011

O conhecimento de Jesus Cristo...

Seguindo a linha de pensamento de S. Tomás de Aquino, o conhecimento humano de Jesus Cristo é pleno, afirmando que em Jesus há uma ciência tripla: a ciência beatífica, a ciência infusa e a adquirida, a qual devia ser perfeita e abarcar tudo. S. João diz que o Divino Mestre conhecia o interior, lia os corações (c.f. Jo 6, 61) e, na Carta aos Colossenses, cap. 2, 2, diz-se que em Cristo «estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência», tesouros de conhecimento em que o sujeito é o Verbo encarnado…

«O Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus» (Jo 1, 1)… «O Verbo era a luz verdadeira que, vindo ao mundo, a todo o homem ilumina (Jo 1, 9). O Verbo é, segundo Tertuliano, a Palavra, o Pensamento, a Força, com que Deus tudo fez, possuindo a essência mesma de Deus enquanto é espírito. «Do Espírito Divino nasce um Espírito, Deus nasce de Deus, como de uma luz se acende uma outra»; e, mais adiante, acrescenta que este raio de Luz, de Deus, «desceu numa virgem, incarnou no seu seio: nasceu, homem unido a um Deus».

O Verbo conhecia o Pai, escutara o Pai e transmitia tudo quanto ouvira do Pai, deduzindo-se, pois, que Jesus através do Verbo tinha plena consciência, uma consciência inata de ser filho de Deus, da missão incumbida pelo Pai, uma consciência pura, recta, sublime, imersa na profundidade de Deus, absorta no seio do Pai pelo vínculo do Amor eterno, do Espírito Santo. A vivência trinitária não foi interrompida pela encarnação do Verbo, manteve-se. O Verbo continuou o Seu amor Kenótico em Jesus de Nazaré, amor que se estendeu a todos os homens na oferta de Si mesmo a eles, em obediência ao Pai.

Jesus é a Palavra do Pai por quem tudo foi criado, é a Sabedoria de Deus. A sua condição humana, que esconde a glória que lhe é intrínseca, e que parece absorver o seu pleno conhecimento humano e divino, não impede que em Cristo, como Verbo de Deus, se perca ou diminua a Sua condição divina, tão n’Ele enraizada, tão n’Ele escondida, tão n’Ele apagada para os homens de todos os tempos...

... Contudo, o conhecimento divino que o Verbo possui da sua identidade divina está de certa forma sujeito na encarnação à lei da Kenósis. Por isso, como afirma a cristologia actual, o seu conhecimento se reveste de certa forma de carácter intuitivo e global; é sumamente rico, mas, também, susceptível de desenvolvimento. A sua humildade (quando pergunta a quantidade de pães que há para depois fazer o milagre da multiplicação) e, mais ainda, a sua psicologia divina, levam-no muitas vezes a fazer perguntas, não por que não soubesse a resposta, mas para que os outros respondendo se consciencializassem da sua fé n’Ele.

A porta da Sabedoria é Cristo, O qual é: «Caminho, Verdade e Vida» (Jo 14, 6), Luz que a todo o homem ilumina, Verdade que o torna livre e, por isso, capaz de conhecer – até onde a Sabedoria Divina o permite – a Eterna e Imutável Verdade: DEUS.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A invocação do Santíssimo Nome de Jesus

Dos escritos de Calisto e Inácio Xanthopouloi (séc. XIV) in Filocalia:

O princípio de toda a actividade agradável a Deus é a invocação, cheia de fé, do Nome salvador de Nosso Senhor Jesus Cristo. É ele quem nos diz: "Sem mim, nada podeis fazer" (Jo 15, 5). Depois, a paz, pois se deve "orar, diz ele, sem ira e sem animosidade" (1 Tm 2, 8); e a caridade, porque "Deus é amor" e aquele "que permanece no amor permanece em Deus e Deus permanece nele" (1Jo 4, 16). A paz e a caridade não somente tornam a oração agradável a Deus, mas, por sua vez, nascem da oração, como raios divinos iguais e, através dela, crescem e se consomem...

Nossos gloriosos mestres e doutores, com muita sabedoria, movidos pelo Espírito Santo que habita neles, ensinam a todos nós- principalmente aos que querem aceitar o desafio da deificante hesíquia - que tenhamos por ocupação e exercício contínuos o santíssimo e dulcíssimo Nome; que o levemos, sem cessar, no nosso espírito, no nosso coração e nos nossos lábios...

(...)

... Todos os métodos, regras e exercícios não têm outra origem e razão, além da incapacidade de orar no nosso coração, com pureza e sem distracção. Quando, através da benevolência e da graça de N. S. Jesus Cristo conseguimos isso, abandonamos a pluralidade, a diversidade e a divisão e nos unimos imediatamente, acima de quaisquer palavras, ao Uno, ao Simples, Àquele que unifica. É o "Deus unido aos deuses e conhecido por eles" do Teólogo, mas é um privilégio raríssimo.

Há cinco obras que honram a Deus, pelas quais devem passar, dia e noite, quem é noviço em hesíquia: a oração, isto é, a lembrança do Senhor Jesus Cristo introduzida ininterruptamente no coração, pelo nariz, lentamente; expirada em seguida, com os lábios cerrados, sem nenhum outro pensamento nem imaginação.

(...)

As palavras "Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus" dirigem o espírito, de modo imaterial, para aquele cujo nome enunciam. Pelas palavras "tende piedade de mim",  o espírito volta-se sobre si próprio, como se não pudesse suportar a ideia de não orar para si mesmo. Quando tiver progredido no amor, através da experiência, ele vai-se dirigir unicamente para o Senhor Jesus Cristo, pois terá a certeza evidente do que vem depois (do perdão dos seus pecados).


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Discernindo os pensamentos...

Dos Exercícios Espirituais de
Sto. Inácio de Loyola:

32 - Exame Geral de Consciência
para se purificar e para melhor se confessar

Elementos de discernimento

Pressupondo haver em mim três pensamentos, a saber: um que é propriamente meu, que sai da minha liberdade e querer; e outros dois que vêm de fora: um que vem do bom espírito e o outro do mau.

33 - Pensamentos. Há duas maneiras de merecer no mau pensamento que vem de fora.
     Primeira, vem, por exemplo, um mau pensamento de cometer um pecado mortal. Resisto-lhe prontamente, e fica vencido.

34 - A Segunda maneira de merecer é quando me vem aquele mesmo mau pensamento e eu lhe resisto, e torna-me a vir, uma e outra vez, e eu resisto sempre, até que o pensamento se vai vencido. Esta segunda maneira é de mais merecimento que a primeira.

35 - Peca-se venialmente quando vem o mesmo pensamento de pecar mortalmente, e a pessoa lhe dá atenção, demorando-se um pouco nele, ou recebendo alguma deleitação sensual, ou havendo alguma negligência em rejeitar o tal pensamento.

36 - Há duas maneiras de pecar mortalmente:
     A primeira é quando se dá consentimento ao mau pensamento, para o pôr logo em prática conforme consentiu, ou para o executar se pudesse.

37 - A segunda maneira de pecar mortalmente é quando se põe em acto aquele pecado; e é maior por três razões: a primeira, pelo maior espaço de tempo; a segunda, pela maior intensidade; a terceira, pelo maior dano das duas pessoas.



quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Tú me mueves, Señor...


(Para escutar: pôr em pausa, em
baixo, a música de fundo do blog)


No me mueve, mi Dios, para quererte
el cielo que me tienes prometido,
ni me mueve el infierno tan temido
para dejar por eso de ofenderte.

Tú me mueves, Señor, muéveme el verte
clavado en una cruz y escarnecido,
muéveme ver tu cuerpo tan herido,
muévenme tus afrentas y tu muerte.

Muéveme, en fin, tu amor, y en tal manera,
que aunque no hubiera cielo, yo te amara,
y aunque no hubiera infierno, te temiera.

No me tienes que dar porque te quiera,
pues aunque lo que espero no esperara,
lo mismo que te quiero te quisiera.


- Autor desconhecido. Julga-se que poderá ser atribuído a várias personalidades, tais como: S. João da Cruz; S. Teresa; Padre Torres, capuchinho; Padre Antonio Panes, franciscano.


sábado, 29 de janeiro de 2011

Reverência, adoração, fé e vida...

Retirado do excelente blog: Una Voce Portugal

Mais do que palavras: Sinais exteriores de fé pelo celebrante

O significado de genuflexões e outros gestos

Pe. Nicola Bux


ROMA, janeiro 21, 2010 ( Zenit.org ). – A fé na presença do Senhor, e em particular na sua presença Eucarística, é expressa de forma exemplar pelo padre quando ele ajoelha-se com profunda reverência durante a Santa Missa ou antes da Eucaristia.

Na liturgia pós-conciliar estes actos de devoção foram reduzidas ao mínimo em nome da sobriedade. O resultado é que as genuflexões tornaram-se uma raridade, ou um gesto superficial. Nós tornamo-nos mesquinhos com os nossos gestos de reverência diante do Senhor, embora, muitas vezes, elogiamos os Judeus e Muçulmanos pelo seu fervor e maneira de rezar.

Mais do que palavras, uma genuflexão manifesta a humildade do padre, que reconhece-se apenas como um ministro, e a sua dignidade, dado ser capaz de tornar presente o Senhor no sacramento. No entanto, há outros sinais de devoção.

Quando o sacerdote estende as mãos em oração, ele indica a súplica do pobre e humilde. A Instrução Geral do Missal Romano (IGMR) estabelece que o padre “quando ele celebra a Eucaristia, portanto, deve servir a Deus e ao povo com dignidade e humildade, e pelo seu porte e pela maneira como ele diz as palavras divinas deve transmitir aos fiéis a presença viva de Cristo “(n. 93). Uma atitude de humildade está em consonância com o próprio Cristo, manso e humilde de coração. Ele deve crescer e eu diminuir.

Ao caminhar para o altar, o sacerdote deve ser humilde, sem ostentação, sem ceder em olhar para a direita e para a esquerda, como se buscasse aplausos. Em vez disso, deve olhar para Jesus; Cristo crucificado está presente no tabernáculo, diante do qual o sacerdote deve curvar-se. O mesmo é feito diante das imagens sagradas exibidas na abside atrás ou nas laterais do altar, a Virgem, o santo titular, os outros santos.

Segue o beijo reverente do altar e, eventualmente, o incenso, o sinal da cruz e a sóbria saudação dos fiéis. Após a saudação é o acto penitencial, a ser realizado profundamente com os olhos baixos. Na forma extraordinária, os fiéis ajoelham-se, imitando o publicano agradável ao Senhor.

O celebrante não deve levantar a sua voz e deve manter um tom claro para a homilia, mas deve ser submissa e suplicante em oração, solene quando cantada. “Nos textos que deverão ser ditos numa voz alta e clara, quer pelo sacerdote quer pelo diácono, ou pelo leitor, ou por todos, o tom de voz deve corresponder ao gênero do próprio texto, ou seja, dependendo se se trata de uma leitura, uma oração, um comentário, uma aclamação, ou um texto cantado; o tom também deve ser adaptado à forma de celebração e à solenidade da reunião “(IGMR, n. 38).

Ele tocará os dons sagrados com admiração, e purificará os vasos sagrados com calma e atenção, em consonância com o apelo de tantos santos e sacerdotes anteriores a ele. Ele abaixará a cabeça sobre o pão e o cálice aquando da pronunciação das palavras de consagração de Cristo e na invocação do Espírito Santo (epiclesi). Ele erguê-los-á separadamente, fixando o seu olhar sobre eles em adoração e, em seguida, baixá-los-á em meditação. Ele ajoelhar-se-á duas vezes em adoração solene. Ele continuará com recolecção e um tom de oração desde a anáfora à doxologia, levantando os dons sagrados em oferta ao Pai.

Então, ele recitará o Pai Nosso com as mãos erguidas, sem ter nada nas mãos, porque isso é próprio do rito da paz. O padre não deixará o Sacramento no altar para dar o sinal de paz fora do presbitério, ao invés disso ele quebrará a Hóstia de uma forma solene e visível, ajoelhando-se então diante da Eucaristia, rezando em silêncio. Ele irá pedir novamente para ser salvo de toda a indignidade, de não comer e beber a sua própria condenação e ser protegido para a vida eterna pelo Corpo santo e Sangue precioso de Cristo. Então apresentará a Hóstia aos fiéis para a comunhão, rezando “Dominum non sum dignus”, e fazendo uma vénia comungará primeiro, e assim será um exemplo para os fiéis.

Após a comunhão, o silêncio de acção de graças pode ser feito de pé, melhor do que sentado, em sinal de respeito, ou de joelhos, se for possível, como fez João Paulo II até ao final quando celebrava na sua capela particular, com a cabeça abaixada e as mãos unidas. Ele pedia que o dom recebido por ele fosse um remédio para a vida eterna, como na fórmula que acompanha a purificação dos vasos sagrados; muitos fiéis fazem-no e são um exemplo.

Não deverão a patena ou a taça e o cálice (vasos que são sagrados por causa do que contêm) serem cobertos “louvavelmente” (IGMR 118;. Cf 183), em sinal de respeito – e também por razões de higiene – como as Igrejas Orientais fazem? O sacerdote, após a saudação e bênção final, subindo ao altar para beijá-lo, voltará a levantar os olhos para o crucifixo e fará uma vénia e genuflexão diante do tabernáculo. Então ele voltará para a sacristia, recolhido, sem dissipar com olhares e palavras a graça do mistério celebrado.

Desta forma os fiéis irão ser ajudados a compreender os sinais sagrados da liturgia, que é algo sério, em que tudo tem um significado para o encontro com o mistério de Deus.

* * * * * *

Pe. Nicola Bux é professor de Liturgia Oriental em Bari e consultor da Congregação para a Doutrina da Fé, para as Causas dos Santos, para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, bem como do Ofício de Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice.


Fonte: Zenit

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Eliminação do post anterior - justificação...

Recebi hoje de manhã um mail de uma pessoa amiga - da Tradição, claro está -, muito bem enraízada na sã doutrina, e a quem agradeço o alerta feito. No assunto, a seguinte frase: «D'a maravilhosa vida, obra e doutrina de Wunibald Muller»...

Triste, bem triste... Por acaso, recordo-me de uma vez ter folheado o livro citado no artigo que publiquei no post anterior - agora já eliminado -, e de ter achado algo "suspeito", de modo que, o coloquei assim bem escondido na estante... Trata-se do livro: «Deixar-se tocar pelo sagrado», da Editora Vozes.

Ontem, talvez por má inspiração (o outro não nos larga, infelizmente, nem um só segundo! lol) resolvi visitar a minha estante... Reli, apressadamente o tal livro e, apesar de algumas coisas me terem parecido, novamente, um pouco subjectivas: muitas vezes Deus é desigando por «o sagrado». Se for uma medida estratégica para captar os vários públicos, percebo...; a sacralização do acto sexual, o qual também percebo desde que na sua concepção original, entre um homem e uma mulher, coisa que pelos vistos para ele é indiferente..., etc.

Fiquei a saber que esse senhor é um romancista alemão, teólogo católico e psicólogo da Abadia Beneditina de Münsterschwarzach; trabalha em estreita colaboração com o conhecido beneditino Anselm Grün (conferencista no VI Simpósio do Clero de Portugal, realizado em Fátima, no ano de 2009; por acaso cruzei-me com ele no Santuário, e foi até muito simpático)...

... PIOR...

... É CONTRA O CELIBATO DOS PADRES, A FAVOR DA ORDENAÇÃO DAS MULHERES E A FAVOR DA HOMOSSEXUALIDADE NOS PADRES E EM GERAL...

E ainda se diz: Católico?!?!?!...

Penso que o que publiquei não contém nenhuma heresia, aliás, houve uma parte que passei à frente por não concordar totalmente com o pensamento do autor... Contudo, aviso agora que, mais logo, o retirarei do blog... Há muita porcaria por aí... Costumo ser bem prudente com o que publico... Deverei ser ainda mais, sem relaxar um só segundo... Publiquei por que, apesar de me parecer, como já disse, um pouco subjectivo e um pouco "liberal" na forma de abordar certas temáticas, achei também, de certa forma poético, filosófico até, enfim, interessante... Foi por aí que me deixei atrair..., e por achar que seria uma forma de atrair as pessoas para Deus, certos públicos: a finalidade principal do blog é «despertar os corações para o infinito Amor de Deus-Trindade».

Ainda bem que tenho alguns «polícias», ou melhor «anjos da guarda» através dos quais Deus nosso Senhor me levanta e me ensina a não vacilar e a não me desviar da META para a qual corro, da SANTIDADE.

Mas não deixa de ser triste a confusão e as trevas que envolvem a Santa Igreja. Triste, bem triste... Todas estas ideias estão já espalhadas nas mentes dos sacerdotes e de muitas pessoas consagradas... É... Infelizmente... Temos que nos agarrar ao Santo Evangelho, ao Verbum Domini, ao Sucessor de Pedro..., à oração, aos sacramentos, vividos com coerência de vida. Só assim caminharemos solidamente no único caminho que conduz à Vida e que nos faz, já aqui, participantes da vida divina - a felicidade eterna, a Paz, a Alegria, o Amor - , ou seja, Jesus Cristo nosso Deus e Senhor. Glória a Ele para sempre! Amen.
 
 

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Relinqueri amare a Domino

Dos escritos da B. Isabel da Trindade


«Vós sois excepcionalmente amada, amada com aquele amor de preferência que o Mestre na terra teve por alguns e que os levou tão longe. Não vos diz Ele, como a Pedro: "Amas-Me mais que estes?" (...) Deixai-vos amar "mais que estes": é assim que o Mestre quer que sejais louvor da Sua glória! Ele alegra-se de edificar em vós pelo seu amor e para sua glória, e é Ele sózinho quem quer operar, ainda que não tenhais feito nada para atrair esta graça senão o que a criatura faz: obras de pecado e de misérias... Ele ama-vos mesmo assim, Ele ama-vos "mais que estes", Ele tudo fará em vós, e irá até ao fim: porque, quando uma alma é por Ele a tal ponto amada, desta forma amada com um amor imutável e criador, com um amor livre que transforma como lhe apraz, oh! quanto vai longe esta alma!

A fidelidade que o Mestre vos pede consiste em vos manterdes em comunhão de Amor, em vos haver de derramar e enraízar neste Amor que vos quer marcar a alma com o selo de seu poder e grandeza. Nunca mais voltareis a ser banal se estiverdes desperta no amor! Mesmo nas horas em que não sentirdes senão abatimento, cansaço, agradar-Lhe-eis ainda se fordes fiel em crer que é ainda Ele quem opera, que mesmo assim vos ama, e até mais: porque o seu amor é livre e é assim que Ele se quer engrandecer em vós; e deixar-vos-eis amar "mais que estes".

Creio que é o que isto quer dizer... Vivei no fundo da vossa alma! É o meu Mestre quem me faz lucidamente compreender que aí quer criar coisas adoráveis: sois chamada a prestar homenagem à Simplicidade do Ser divino e a engrandecer o poder do Seu Amor» («Deixa-te amar», B. Isabel da Trindade à Madre Germana).


sábado, 8 de janeiro de 2011

Caminho de santidade...

«Queres deveras ser santo? Cumpre o pequeno dever de cada momento, faz o que deves e está no que fazes» (S. Josemaria Escrivá in Caminho, 815).

Percorrer o caminho da perfeição, seguindo as pegadas do Redentor, significa abraçar a cruz de cada dia em fé, esperança e amor. Assim, o dever de cada momento, em vez de ser um "peso" será meio e ocasião de oferecimento voluntário de um sacrifício involuntário, mas que, unido ao sofrimento de Cristo, adquirirá um valor redentor... É um mistério, sem dúvida... Mistério que muitas vezes não lembramos ou até ignoramos...

É difícil cumprir o «dever de cada momento» e «estar» no que fazemos. Daí que, devemos, antes de iniciarmos, por exemplo, um trabalho, benzermo-nos e invocar o Divino Espírito Santo, para que seja Ele a iluminar, inspirar e encaminhar todos os nossos actos n'Ele e para Ele, para glória e louvor da Santíssima Trindade. E isto porque, também, uma pequena falha e desvio de alguma acção nossa repercute nos outros - é a dimensão comunitária do pecado (para além da pessoal). Um conselho mal dado, uma sugestão qualquer, ainda que em matéria não grave, pode prejudicar e muito aquele meu irmão ou irmã! Temos uma grande responsabilidade! Temos de ser exemplo de cristãos que bucam a perfeição, que buscam seguir o Divino Mestre sempre e em tudo.

Ser luz no meio das trevas...; ser sal num mundo insosso e corrompido pelo "poder" do pecado e da morte. E sê-lo não necessariamente em coisas grandes, vistosas, mas nas pequeninas coisas de cada dia, no escondimento, na humildade... Um aluno que leva consigo cábulas para os exames, que está sempre a sussurrar durante os mesmos, perturba aqueles que o querem fazer com toda a seriedade de consciência! é apenas um exemplo de como devemos ser perfeitos em tudo e de como do nosso pecado advêm péssimas consequências não só para nós como para os outros e, acima de tudo, a dor que provocamos a Deus nosso Senhor e Criador.



E um bom e santo ano 2011 para todos! Que Deus nos abençoe!



sábado, 25 de dezembro de 2010

Nativitate Domini...

Dos Sermões de São Leão Magno, papa (séc. V):

Reconhece, ó cristão, a tua dignidade

«Hoje, caríssimos irmãos, nasceu o nosso Salvador. Alegremo-nos. Não pode haver tristeza no dia em que nasce a vida, uma vida que destrói o temor da morte e nos infunde a alegria da eternidade prometida.

Ninguém é excluído desta felicidade, porque é comum a todos os homens a causa desta alegria: Nosso Senhor, vencedor do pecado e da morte, não tendo encontrado ninguém isento de culpa, veio para nos libertar a todos. Alegre-se o santo, porque se aproxima a vitória; alegre-se o pecador, porque lhe é oferecido o perdão; anime-se o gentio, porque é chamado para a vida.

(...)

Reconhece, ó cristão, a tua dignidade. Uma vez constituído participante da natureza divina, não penses em voltar às antigas misérias com um comportamento indigno da tua geração. Lembra-te de que cabeça e de que corpo és membro. Não esqueças que foste libertado do poder das trevas e transferido para a luz do reino de Deus.

Pelo sacramento do Baptismo, foste transformado em templo do Espírito Santo. Não queiras expulsar com as tuas más acções tão digno hóspede, nem voltar a submeter-te à escravidão do demónio. O preço do teu resgate é o Sangue de Cristo.»


domingo, 19 de dezembro de 2010

Deus Caritas est!


A homilía escutada ontem, na Missa vespertina do IV Domingo do Advento (bem como as de hoje), levou-me a reflectir sobre a Vontade de Deus e os Seus pensamentos, os Seus desígnios, porventura tantas vezes diferentes dos nossos... Projectamos tanta coisa... Também Maria Santíssima foi uma jovem com os seus sonhos; também S. José foi um homem justo que pensou no seu futuro, que projectou... No entanto, quando Deus fala, desinstala... Desinstalou Maria... e desinstalou José...

E, dizia o sacerdote, acharemos nós que foi fácil a vida de ambos? Não. Não foi nada fácil. E podemos reflectir um pouco sobre cada uma destas santíssimas personagens para concluirmos que, de facto, as suas vidas foram bem difíceis, superadas apenas pelo Puro Amor que ali habitava, neles e entre eles: o próprio Deus.

Isto leva-me a pensar o seguinte: só uma pessoa que deseja, verdadeiramente, ser santa, ser pura e purificada (juntando a isto tudo, ou não, um carácter simpático, comunicativo, humilde e simples) é que consegue, ou melhor, é que permite que Deus vença nela todos os obstáculos que se opõe à vivência da Caridade estabelecendo com outra, também assim, um círculo de Amor Único e Trinitário (não exclusivo, consoante o estado de vida...).

Sim, o eros quer-nos elevar « em êxtase » para o Divino, conduzir-nos para além de nós próprios, mas por isso mesmo requer um caminho de ascese, renúncias, purificações e saneamentos (Deus Caritas est, 5).

Na realidade, eros e agape — amor ascendente e amor descendente — nunca se deixam separar completamente um do outro. Quanto mais os dois encontrarem a justa unidade, embora em distintas dimensões, na única realidade do amor, tanto mais se realiza a verdadeira natureza do amor em geral (Deus Caritas est, 7).
 
É superiormente bela a experiência do encontro entre duas pessoas que, na simplicidade dos gestos e das palavras e num espírito filial / irmanal e de mútuo respeito (nomeadamente entre um homem e uma mulher - a complementaridade), conseguem expressar a beleza do Amor de Deus, amor divino que passa pelo humano, pois amamos no corpo, num corpo reconciliado. Refiro-me de modo particular ao dia de hoje... Um grande convívio, muitas pessoas, entre as quais muitas conhecidas. Primeiramente, surgem os temores de ter de enfrentar tanta gente e o achar que vai ser uma "perda de tempo", algo muito "banal". Mas, depois, quando começamos a redescobrir as amizades que temos, a rever pessoas que não víamos havia tempos! Oh! Renasce a alegria destes momentos de "convívio" amistoso e pleno da Caridade de Cristo. Mas, as mais significativas são aquelas pessoas que amam e se amam virginalmente. Parece algo utópico e não devemos, de facto, cair numa espiritualidade despida da humanidade. Porém, quando tal acontece, é motivo de dar graças e louvores a Deus.
 
S. José viu os seus projectos transformados, sublimados... Casar-se com uma mulher com quem deveria viver em perfeita castidade? Parece algo absurdo (e é para os casais, ao quais Deus deu a ordem da procriação; a Sagrada Família é um caso à parte). É com ele que todos os sacerdotes devem aprender a amar cada pessoa como "outro Cristo", como irmão, como irmã, como filho, como filha.
 
Amor a Deus e amor ao próximo são inseparáveis, constituem um único mandamento. Mas, ambos vivem do amor preveniente com que Deus nos amou primeiro. Deste modo, já não se trata de um « mandamento » que do exterior nos impõe o impossível, mas de uma experiência do amor proporcionada do interior, um amor que, por sua natureza, deve ser ulteriormente comunicado aos outros. O amor cresce através do amor. O amor é « divino », porque vem de Deus e nos une a Deus, e, através deste processo unificador, transforma-nos em um Nós, que supera as nossas divisões e nos faz ser um só, até que, no fim, Deus seja « tudo em todos » (Deus Caritas est, 18).
 
Que a Santíssima Virgem Maria eduque o nosso coração... Nos faça ver a beleza que há no coração dos outros, no olhar, no sorriso; em amor ágape, kenótico, oblativo; em gestos simples e breves de quem chega mas que sabe que terá logo de partir, de quem tudo tem mas sem nada possuir... Isto sim é AMIZADE vivida na CARIDADE.

Continuação de um santo Advento! Preparemo-nos para acolher devidamente o nosso Deus! A Sua graça não faltará! «Omnia possum in eo qui me confortat» (tudo posso n'Aquele que me conforta) - Fil 4, 13.


terça-feira, 14 de dezembro de 2010

S. João da Cruz: o eterno enamorado!

- Extaído do livro: «Noite Escura», de S. João da Cruz


CANÇÕES DA ALMA

Em uma noite escura
Com ânsias em amores inflamada,
Ó ditosa ventura!
Saí sem ser notada,
'stando já minha casa sossegada.

Às escuras, segura,
Pela secreta escada disfarçada,
Ó ditosa ventura!
Em trevas e em celada,
'stando já minha casa sossegada.

Nessa noite ditosa,
Em segredo, porque ninguém me via,
Nem via eu qualquer coisa
Sem outra luz nem guia
Excepto a que no coração ardia.

Mas esta me guiava
Mais certeira que a luz do meio-dia,
Aonde me esperava
Quem eu p'ra mim sabia,
Em parte onde ninguém morar par'cia.

Ó noite que guiaste,
Ó noite amável mais do que a alvorada :
Ó noite que juntaste
Amado com amada,
A amada no Amado transformada!

Em meu peito florido
Que só para ele inteiro se guardava,
Ficou adormecido,
E eu o acariciava
E o abanar dos cedros refrescava.

Da ameia a brisa amena,
Quando eu seus cabelos afagava,
Com sua mão serena
No colo me tocava,
E os sentidos suspensos me deixava.

Fiquei-me e esqueci-me,
O rosto reclinado sobre o Amado,
Cessou tudo e rendi-me,
Deixando meu cuidado
Em meio de açucenas olvidado.