domingo, 24 de outubro de 2010

“Oração constante, de manhã à noite”

A verdadeira oração, a que absorve todo o indivíduo, não a favorece tanto a solidão do deserto como o recolhimento interior. (Sulco, 460)

De S. Josermaria Escrivá:

Eu, enquanto tiver alento, não cessarei de pregar a necessidade primordial de ser alma de oração – sempre! – em qualquer ocasião e nas circunstâncias mais díspares, porque Deus nunca nos abandona. Não é cristão pensar na amizade divina exclusivamente como um recurso extremo. Pode parecer-nos normal ignorar ou desprezar as pessoas que amamos? Evidentemente que não. Para os que amamos dirigimos constantemente as palavras, os desejos, os pensamentos: há como que uma presença contínua. Pois, o mesmo com Deus.

Com esta busca do Senhor, toda a nossa jornada se converte numa única conversa, íntima e confiada. Afirmei-o e escrevi-o tantas vezes, mas não me importo de o repetir, porque Nosso Senhor faz-nos ver – com o seu exemplo – que este é o comportamento certo: oração constante, de manhã à noite e da noite até de manhã. Quando tudo sai com facilidade: obrigado, meu Deus! Quando chega um momento difícil: Senhor, não me abandones! E esse Deus, manso e humilde de coração, não esquecerá os nossos rogos nem permanecerá indiferente, porque Ele afirmou: pedi e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. (Amigos de Deus, 247)

Fonte: Opus Dei

sábado, 16 de outubro de 2010

S. Margarida Maria e o Sagrado Coração de Jesus

Dos escritos autobiográficos de S. Margarida Maria Alacoque:

Estava uma vez diante do Santíssimo, achando-me com um pouco mais de vagar (que não me davam muito as ocupações de que me encarregavam), e encontrava-me toda possuída daquela divina presença, e tão fortemente, que me esqueci de mim mesma e do lugar em que estava: entreguei-me então àquele divino Espírito, pondo meu coração à mercê da força do Seu amor. Fez-me repousar por largo tempo em Seu divino peito; e ali me descobriu as maravilhas do Seu amor e os segredos insondáveis do Seu Sagrado Coração, que sempre me tinha conservado escondidos até àquele momento em que mos abriu pela primeira vez, mas de modo tão real e sensível que me não deixou lugar a nenhuma dúvida, pelos efeitos que esta graça produziu em mim. E foi do seguinte modo, segundo o meu parecer.

Disse-me Ele: «O Meu divino Coração está tão abrasado de amor para com os homens, e em particular para contigo, que, não podendo já conter em si as chamas de sua ardente caridade, precisa derramá-las por teu meio, e manifestar-se-lhes para os enriquecer de seus preciosos tesouros, que Eu te mostro a ti, os quais contêm a graça santificante, as graças salutares indispensáveis para os apartar do abismo da perdição; e escolhi-te a ti, como abismo de indignidade e ignorância, para a realização deste grande desígnio, para que tudo seja feito por Mim».

Depois pediu-me o meu coração; eu roguei-Lhe que o tomasse, o que Ele fez, e meteu-o no Seu adorável Coração, no qual mo mostrou como um atomozinho que se consumia naquela fornalha ardente. Depois, tirou-o de lá como chama viva em forma de coração, e tornou-o ao lugar donde o tinha tomado, dizendo-me: «Eis aqui, minha dilecta esposa, um precioso penhor do Meu amor, que no teu peito encerra uma pequenina centelha das mais vivas chamas dele, para te servir de coração e te consumir até ao último momento; o ardor dele não se extinguirá, nem poderá encontrar senão um pequeno refrigério numa sangria, cujo sangue eu marcarei de tal modo com minha Cruz, que essa operação te há-de trazer mais humilhação e sofrimento do que alívio».

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Vossa sou, para Vós nasci...


Vossa sou, para Vós nasci,
Que quereis Senhor de mim?

Soberana Majestade,
eterna sabedoria,
bondade para a alma minha;
Deus sublime, suma bondade,
Olhai a grande vileza
que hoje nos canta amor assim:
Que quereis, Senhor, de mim?

Vossa sou, pois me criasTes,
Vossa, pois me redimisTes,
Vossa, pois me sofresTes,
Vossa, pois me chamasTes,
Vossa, pois me esperasTes,
Vossa, pois não me perdi:
Que quereis, Senhor, de mim?

Que mandais, pois, bom Senhor?
que faça tão vil criado?
que ofício lhe haveis dado
a este escravo pecador?
Eis-me aqui meu doce Amor,
doce Amor, eis-me aqui:
Que quereis, Senhor, de mim?

Eis aqui meu coração,
eu o ponho em Vossas palmas,
meu corpo, a vida, a alma,
o meu íntimo e afeição;
doce Esposo e redenção,
pois por Vós eu me ofereci:
Que quereis, Senhor, de mim?

Dai-me a morte, dai-me a vida,
dai-me saúde ou enfermidade,
honra ou desonra me dai
dai-me guerra ou paz sentida
fraqueza ou força vivida:
que a tudo digo que sim:
Que quereis, Senhor, de mim?

Dai-me riqueza ou pobreza,
dai-me consolo ou desconsolo,
dai-me alegria ou tristeza,
dai-me inferno ou dai-me o céu,
vida doce, sol sem véu,
pois a tudo me rendi:
Que quereis, Senhor, de mim?

Se quereis, dai-me oração,
se não, dai-me estiagem,
se abundância e devoção,
e se não, esterelidade.
Soberana Majestade,
só encontro paz aqui:
Que quereis, Senhor, de mim?

Dai-me, pois, sabedoria,
ou, por amor, ignorância;
dai-me anos de abundância,
ou de fome e carestia;
dai trevas ou claro dia,
revolvei-me aqui ou ali:
Que quereis, Senhor, de mim?

Se quereis que esteja folgando,
quero por amor folgar.
Se me mandais trabalhar,
quero morrer trabalhando.
Dizei: onde, como e quando?
Dizei, doce amor, e repeti:
Que quereis, Senhor, de mim?

Esteja calada ou falando,
faça fruto, ou não o faça,
mostre a lei a minha chaga,
goze do Evangelho santo;
esteja penando ou gozando,
só Vós em mim vivei:
Que quereis, Senhor, de mim?



sábado, 9 de outubro de 2010

Os pecados da Igreja...

(Escrito em português do Brasil e retirado de um site, referenciado em baixo, digno de honra e promoção pelo exaustivo trabalho totalmente alicerçado na boa e santa doutrina católica)

«Por Alice von Hildebrand

Conta-se que Napoleão, o vencedor de tantas batalhas, após ter mantido o Papa Pio VII prisioneiro em Fontainebleau por longo tempo, queria tomar a Igreja Católica sob a sua tutela para assim alcançar a hegemonia total na Europa. Com isso em mente, redigiu uma Concordata que entregou ao Secretário de Estado, o cardeal Consalvi. O imperador disse ao cardeal que voltaria no dia seguinte e que queria o documento assinado.

Depois de ler a Concordata, Consalvi informou Sua Santidade de que assinar o documento equivaleria a vender a Igreja ao Imperador da França e, por conseguinte, implorou-lhe que não o assinasse. Quando Napoleão voltou, o cardeal informou-o de que o documento não havia sido assinado. O imperador começou então a usar um dos seus conhecidos estratagemas: a intimidação. Teve uma explosão de raiva e gritou: “Se este documento não for assinado, eu destruirei a Igreja Católica Romana”. Ao que Consalvi calmamente replicou: “Majestade, se os papas, cardeais, bispos e padres não conseguiram destruir a Igreja em dezenove séculos, como Vossa Alteza espera consegui-lo durante os anos da sua vida?”

Tenho um motivo concreto para relatar esse episódio. Consalvi deixa claro que embora existam inumeráveis pecadores no seu seio, também em posições de governo, a Igreja conseguiu subsistir por ser a Esposa Imaculada de Cristo, santa e protegida pelo Espírito Santo. Como disse certa vez Hilaire Belloc, se a Igreja fosse uma instituição puramente humana, não teria sobrevivido aos muitos prelados idiotas e incompetentes que já a lideraram. Por que a Igreja sobrevive e continuará a sobreviver? A resposta é simples. Cristo nunca disse que daria líderes perfeitos à Igreja. Nunca disse que todos os membros da Igreja seriam santos. Judas era um dos Apóstolos, e todos aqueles que traem o Magistério da Esposa de Cristo tornam-se Judas. O que Nosso Senhor disse foi: As portas do inferno não prevalecerão contra ela (Mt 16, 18).

A palavra “Igreja” tem dois sentidos: um sobrenatural e outro sociológico. Para todos os não-católicos e, infelizmente, também para muitos católicos de hoje, a Igreja é uma instituição meramente humana, constituída por pecadores, uma instituição cuja história está carregada de crimes. É preocupante o fato de que o significado sobrenatural da palavra “Igreja” – a saber, a santa e imaculada Esposa de Cristo – seja totalmente desconhecido da esmagadora maioria das pessoas, e até de um alto percentual de católicos cuja formação religiosa foi negligenciada desde o Vaticano II. Por isso, quando o Papa ou algum membro da hierarquia pede perdão pelos pecados dos cristãos no passado, muitas pessoas acabam pensando que a Igreja – a instituição religiosa mais poderosa da terra – está finalmente a admitir as suas culpas e que a sua própria existência foi prejudicial à humanidade.

Na realidade, a Esposa de Cristo é a maior vítima dos pecados dos seus filhos; no entanto, é ela que implora a Deus que perdoe os pecados daqueles que pertencem ao seu corpo. É a Santa Igreja que implora a Deus que cure as feridas que esses filhos pecadores infligiram a outros, muitas vezes em nome da mesma Igreja que traíram.

Somente Deus pode perdoar os pecados; é por isso que a liturgia católica é rica em orações que invocam o perdão de Deus. As vítimas dos pecados podem (e devem) perdoar o mal que sofreram, mas não podem de forma alguma perdoar o mal moral em si, e, caso se recusem a perdoar, movidas pelo rancor e pelo ódio, Deus, que é infinitamente misericordioso, nunca nega o seu perdão àqueles que o procuram de coração contrito.

A Santa Igreja Católica não pode pecar; mas muitas vezes é a mãe dolorosa de filhos díscolos e desobedientes. Ela dá-lhes os meios de salvação, dá-lhes o pão puro da Verdade. Mas não pode forçá-los a viver os seus santos ensinamentos. Isto aplica-se tanto a papas e bispos como aos demais membros da Igreja. Cristo foi traído por um dos seus Apóstolos e negado por outro. O primeiro enforcou-se; o segundo arrependeu-se e chorou amargamente.

A distinção entre os sentidos sobrenatural e sociológico da Igreja deve ser continuamente enfatizada, pois fatalmente causa confusão quando não é explicitada com clareza.

Assim como os judeus que aderem ao ateísmo traem tragicamente o seu título de honra – serem parte do povo escolhido de Deus –, assim os católicos romanos que pisoteiam o ponto central da moralidade – amar a Deus e, por Ele, o próximo –, traem um princípio sagrado da sua fé.

Por outro lado, em nome da justiça e da verdade, é imperioso mencionar que os católicos verdadeiros (aqueles que vivem a fé e enxergam a Santa Igreja com os olhos da fé) sempre ergueram a voz contra os pecados cometidos pelos membros da Igreja. São Bernardo de Claraval condenou em termos duríssimos as perseguições que os judeus sofreram na Alemanha do século XII (cf. Ratisbonne, Vida de São Bernardo). Os missionários católicos no México e no Peru protestavam constantemente contra a brutalidade dos conquistadores, geralmente movidos pela ganância. A Igreja deve ser julgada com base naqueles que vivem os seus ensinamentos, não naqueles que os traem. Recordo-me das palavras com que um amigo meu, judeu muito ortodoxo, lamentava o fato de muitos judeus se tornarem ateus: “Se somente um judeu permanecer fiel, esse judeu é Israel”. O mesmo pode ser dito com relação à Igreja Católica; apenas as pessoas fiéis ao ensinamento de Cristo podem falar em seu nome. Ela deve ser julgada de acordo com a santidade que alguns dos seus membros alcançam, não de acordo com os pecados e crimes de inúmeros cristãos que julgam os seus ensinamentos difíceis de praticar e que por isso traem a Deus na sua vida cotidiana.

Os pecadores, aliás, estão igualmente distribuídos pelo mundo e não são uma triste prerrogativa da religião católica. Se fosse assim, estaria justificada a afirmação de um dos meus alunos judeus em Hunter, feita diante de uma sala lotada: “Teria sido melhor para o mundo que o cristianismo nunca tivesse existido”. A história julgará se o conflito atual entre judeus e muçulmanos é moralmente justificável.

Este modesto comentário foi motivado pelo que disse um rabino à televisão, um dia após o pronunciamento histórico de João Paulo II na Basílica de São Pedro, a 12 de março de 2000, quando o Santo Padre pediu perdão pelos pecados dos cristãos no passado 1. O rabino não apenas achou o pedido de desculpas de Sua Santidade “incompleto” por não mencionar explicitamente o Holocausto (esquecendo-se de mencionar que os católicos eram e são minoria na Alemanha, país basicamente protestante), como também disse que os pecados cometidos pela Igreja foram freqüentemente endossados pelos seus líderes, dando a entender que o anti-semitismo faria parte da própria natureza da Igreja.

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(1) É digno de nota que somente o Papa tenha pedido desculpas pelos pecados cometidos pelos membros da Igreja. Não deveriam fazer o mesmo os hindus, por terem praticamente erradicado o budismo da Índia e forçado os seus membros a fugir para o Tibet, a China e o Japão? Não deveriam os anglicanos pedir desculpas por terem assassinado São Thomas More, São John Fisher e São Edmund Campion, para mencionar apenas três nomes? E quanto ao extermínio de um milhão de armênios pelos turcos em 1914? Ninguém fala a respeito desse “holocausto”; ninguém parece saber dele. E o extermínio de cristãos que acontece agora no Sudão?

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Tal afirmação deixa claro que o rabino não fazia a menor idéia daquilo que os católicos entendem por Esposa Imaculada de Cristo – uma realidade que não pode ser percebida ou compreendida por aqueles que usam os óculos do secularismo. Pergunto-me quando o “mundo” considerará que a Igreja já pediu desculpas suficientes. Por séculos a Igreja tem sido o bode expiatório ideal. O que os seus acusadores fariam se ela deixasse de existir?

Aqueles que a acusam de “silêncio” não estão apenas mal informados, mas pressupõem que eles próprios seriam heróicos se estivessem na mesma situação. Como o Papa Pio XII disse a meu marido numa entrevista privada, quando ainda era Secretário de Estado: “Não se obriga ninguém a ser mártir”. Quantas pessoas se julgam heróicas sem nunca terem sido realmente testadas! Quantos judeus arriscariam a vida para salvar católicos perseguidos? Por que esquecem que milhões de católicos também pereceram nos campos de concentração? Se a Gestapo tivesse apanhado o meu marido, considerado o inimigo número um de Hitler em Viena, tê-lo-ia feito em pedaços. Ele lutava contra o nazismo em nome da Igreja e perdeu tudo porque odiava a iniqüidade. Quantas pessoas fariam o mesmo – não na sua imaginação, mas na realidade?

Também não devemos esquecer que inúmeros católicos foram (e são) perseguidos por causa da sua fé. Mas um verdadeiro católico não espera desculpas dos seus perseguidores. Perdoa os seus perseguidores, quer eles lhe peçam desculpas, quer não. Reza por eles, ama-os em nome dAquele que padeceu e morreu pelos pecados de todos. É sempre lamentável ouvir um católico dizer: “Fulano e beltrano devem-me desculpas”.

Somente a pessoa que enxerga a Santa Igreja Católica (chamada santa cada vez que o Credo é recitado) com os olhos da fé, só essa pessoa compreende com imensa gratidão que a Igreja é a Santa Esposa de Cristo, sem ruga nem mácula, por causa da santidade do seu ensinamento, porque aponta o caminho para a Vida Eterna e porque dispensa os meios da graça, ou seja, os sacramentos.

O pecado é uma realidade medonha e que os pecados cometidos por aqueles que se dizem servos de Deus são especialmente repulsivos. Nunca serão excessivamente lamentados, mas devemos ter presente que, apesar de muitos membros da Igreja serem – infelizmente – cidadãos da Cidade dos Homens e não da Cidade de Deus, a Igreja permanece santa.»


Fonte: Quadrante - Portal de Cultura

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

S. Bruno, Cartuxo...

Tu, que és meu Senhor,
Tu, cuja vontade prefiro à minha.
Não me é possível contentar-me com palavras
ao apresentar-Te a minha oração.
Escuta meu grito que Te suplica
como um imenso clamor...

Tu, de quem me constitui servo:
Te rogo com insistência
até merecer atingir Teu favor.
Pois não almejo um bem da terra;
não peço mais do que o que devo pedir:
só a Ti...

Tem piedade de mim!
E como imensa é a Tua misericórdia
e grande meu pecado, tem piedade de mim imensamente
em proporção à Tua misericórdia.

Então poderei cantar Teus louvores,
contemplando-Te, Senhor.
Te bendirei com uma bênção
que perdurará ao longo dos séculos;
Te louvarei com o louvor e a contemplação,
neste mundo e no outro,
como Maria, de quem nos diz o Evangelho,
que escolheu a parte melhor.

Amen.

- Oração atribuída a S. Bruno

Fonte: Cartuxa

domingo, 3 de outubro de 2010

Confiança...

(...) «Onde encontrar o verdadeiro pobre de espírito? é preciso procurá-lo muito longe», disse o salmista... Não diz que é preciso procurá-lo entre as almas grandes, mas «muito longe», isto é na baixeza, no nada... Ah! permaneçamos pois muito longe de tudo o que brilha, amemos a nossa pequenez, amemos nada sentir, seremos então pobres de espírito e Jesus virá procurar-nos, por muito longe  que estejamos Ele transformar-nos-á em chamas de amor... Oh! como eu queria fazer-vos compreender o que sinto!... Só a confiança e nada mais do que a confiança tem de conduzir-nos ao Amor... (Sta. Teresa do Menino Jesus e da Santa Face, CT 197).


quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Arcanjos S. Miguel, S. Gabriel e S. Rafael, intercedei por nós!

Das Homilias de São Gregório Magno, papa, sobre os Evangelhos (Hom. 34, 8-9: PL 76, 1250-1251) (Sec. VI)

A palavra «Anjo» designa a sua função, não a sua natureza. Deveis saber que a palavra «Anjo» designa uma função, não uma natureza. Na verdade, aqueles santos espíritos da pátria celeste são sempre espíritos, mas nem sempre se podem chamar Anjos. Só são Anjos quando exercem a função de mensageiros. Os que transmitem mensagens de menor importância chamam-se Anjos; os que transmitem mensagens de maior transcendência chamam-se Arcanjos. Esta é a razão pela qual à Virgem Maria não foi enviado um Anjo qualquer mas o Arcanjo Gabriel; de facto, era justo que para esta missão fosse enviado um Anjo superior, porque vinha anunciar a maior de todas as mensagens. É pela mesma razão que se lhes atribuem nomes particulares, que designam a missão respectiva que desempenham. Na santa cidade do Céu, onde a visão de Deus omnipotente dá um perfeito conhecimento de tudo, não precisam de nomes próprios para se distinguirem uns dos outros; mas quando vêm realizar alguma missão junto dos homens, são conhecidos pelo nome da função que exercem. Assim, Miguel significa «Quem como Deus?»; Gabriel, «Fortaleza de Deus»; e Rafael, «Medicina de Deus». Quando se trata de realizar algum mistério que exige um poder especial, verifica se que é Miguel o enviado, para dar a entender, pela sua acção e pelo seu nome, que ninguém pode actuar como Deus. Por isso aquele antigo inimigo, que pela sua soberba pretendeu ser semelhante a Deus, dizendo: Subirei até ao céu, levantarei o meu trono acima dos astros do céu e serei semelhante ao Altíssimo, será abandonado a si mesmo no fim do mundo e condenado ao extremo suplício. É este que São João no Apocalipse nos apresenta a combater contra o Arcanjo Miguel: Travou-se um combate no Céu contra o Arcanjo Miguel. A Maria foi enviado Gabriel, que significa «Fortaleza de Deus», porque veio anunciar Aquele que, apesar da sua aparência humilde, havia de triunfar sobre os poderes superiores. Convinha, de facto, ser anunciado pela «Fortaleza de Deus» Aquele que vinha ao mundo como Senhor dos Exércitos e poderoso das batalhas. Rafael, como dissemos, quer dizer «Medicina de Deus», como se compreende na missão que teve junto de Tobias: tocou lhe os olhos como um médico e dissipou as trevas da sua cegueira. Por isso, aquele que foi enviado para curar, é chamado «Medicina de Deus».

domingo, 26 de setembro de 2010

A linguagem do corpo (por Christopher West)


Para todos: catequistas, pais, jovens, casais, celibatários, etc. 




segunda-feira, 13 de setembro de 2010

13 de Setembro: a quinta Aparição

Das «Memórias da Irmã Lúcia» (pp. 169 - 171):

Dia 13 de Setembro de 1917 - ao aproximar-se  a hora, lá fui, com a  Jacinta e o Francisco, entre numerosas pessoas que a custo nos deixavam andar. As estradas estavam apinhadas de gente. Todos nos queriam ver e falar. Ali não havia respeito humano. Numerosas pessoas, e até senhoras e cavalheiros, conseguindo romper por entre a multidão que à nossa volta se apinhava, vinham prostrar-se, de joelhos, diante de nós, pedindo que apresentássemos a Nossa Senhora as suas necessidades. Outros, não conseguindo chegar junto de nós, chamavam de longe:

- Pelo amor de Deus! peçam a Nossa Senhora que me cure meu filho, que é aleijadinho!
Outro:
- Que me cure o meu, que é cego!
Outro:
- O meu, que é surdo!
- Que me traga meu marido...
- ... meu filho, que anda na guerra!
- Que me converta um pecador!
-Que me dê saúde, que estou tuberculoso!

Etc., etc.
Ali apareciam todas (as) misérias da pobre humanidade. (...) Chegámos, por fim, à Cova da Iria, junto da carrasqueira e começámos a rezar o terço com o povo. Pouco depois, vimos o reflexo da luz e a seguir Nossa Senhora sobre a azinheira.

- Continuem a rezar o terço, para alcançarem o fim da guerra. Em Outubro virá também Nosso Senhor, Nossa Senhora das Dores e do Carmo, S. José com o Menino Jesus para abençoarem o Mundo. Deus está contente com os vossos sacrifícios, mas não quer que durmais com a corda; trazei-a só durante o dia.

- Têm-me pedido para Lhe pedir muitas coisas: a cura de alguns doentes, dum surdo-mudo.

- Sim, alguns curarei; outros não. Em Outubro farei o milagre, para que todos acreditem.

E começando a elevar-se, desapareceu como de costume.


Reflexão

Dos «Apelos da Mensagem de Fátima» (pp. 143 - 150):

«Continuem a rezar o Terço, para alcançarem o fim da guerra» (Nossa Senhora, 13 de Setembro de 1917).

A Mensagem pede que continuemos a rezar o Terço, que é a fórmula de oração que está mais ao alcance de todos, grandes e pequenos, ricos e pobres, sábios e ignorantes; todas as pessoas de boa vontade podem diariamente rezar o seu Terço.

Mas porque é que a Mensagem nos pede para continuarmos a rezar todos os dias o nosso Terço? Porque a oração é a base de toda a vida espiritual: se abandonarmos a oração, vem-nos a faltar aquela vida sobrenatural que é haurida no encontro da nossa alma com Deus, porque este encontro realiza-se na oração. Vede o que Jesus Cristo recomendou: «Pedi e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis; batei e abrir-se-vos-á. Pois, quem pede recebe e quem procura encontra; e ao que bate abrir-se-á» (Mt 7, 7-8). A oração é procura e encontro com Deus. Nós precisamos de procurar Deus para O encontrarmos, e a promessa lá está: «Quem procura encontra». Não é que Deus esteja longe de nós; nós é que nos afastamos de Deus e perdemos o sentido da Sua presença. Por isso, a Mensagem pede-nos a perseverança na oração, ou seja, que continuemos a rezar, para alcançar o fim da guerra.

Por certo que, no momento, a Mensagem referiu-se à guerra mundial que então afligia a humanidade. Mas esta guerra é também o símbolo de muitas outras guerras que nos cercam e das quais precisamos de conseguir o fim, com a oração e o nosso sacrifício. Penso nas guerras que nos movem os inimigos da nossa salvação eterna: o Demónio, o mundo e a nossa própria natureza carnal. (...)

Além das tentações do Demónio, temos as tentações do mundo que nos rodeia, sugestiona e ilude. Muitas vezes somos iludidos e enganados pelas vozes do mundo.

O mundo fala-nos de vaidades, riquezas, honras, modas, etc. Levados por estas vozes, queremos subir, parecer bem, atrair as atenções, ver-se cumulado de honras, possuir riquezas, passar por sábios, ocupar os primeiros lugares, mesmo à custa da justiça e da caridade. (...)

Como o Demónio e instigado pelos Demónios, o mundo rodeia-nos de inveja, ciúmes e ódio: «Se o mundo vos aborrece, sabei que, primeiro do que a vós, Me aborreceu a Mim. Se fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas, porque não sois do mundo, antes Eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos aborrece» (Jo 5, 18-19).

Deixai que vos repita, em palavras minhas, o que diz a Mensagem: Continuai a rezar, para conseguirdes a paz, para alcançardes vitória sobre as tentações e as perseguições. (...)

Por isso, nos diz a Mensagem: Continuai a rezar o Terço para alcançar o fim da guerra.

domingo, 12 de setembro de 2010

«Procurá-l'O, encontrá-l'O, conhecê-l'O, amá-l'O»


Dos escritos de S. Josemaria Escrivá:

A vida interior robustece-se com a luta nas práticas diárias de piedade, que deves cumprir – mais ainda: que deves viver! – amorosamente, porque o nosso caminho de filhos de Deus é de Amor. (Forja, 83)

Neste esforço por nos identificarmos com Cristo, costumo falar de quatro degraus: procurá-lo, encontrá-lo, conhecê-lo, amá-lo. Talvez pareça que estamos na primeira etapa... Procuremo-lo com fome, procuremo-lo dentro de nós com todas as forças! Se o fizermos com este empenho, atrevo-me a garantir que já O encontrámos e que já começámos a conhecê-lo e a amá-lo e a ter a nossa conversa nos céus.

Procura cingir-te a um plano de vida com constância: alguns minutos de oração mental; a assistência à Santa Missa, diária, se te é possível, e a Comunhão frequente; o recurso regular ao Santo Sacramento do Perdão, ainda que a tua consciência não te acuse de qualquer pecado mortal; a visita a Jesus no Sacrário; a recitação e a contemplação dos mistérios do terço e tantas outras práticas excelentes que conheces ou podes aprender. (...)

Não te esqueças também de que o que é importante não é fazer muitas coisas; limita-te com generosidade àquelas que possas cumprir no dia-a-dia, quer te apeteça quer não. Essas práticas conduzir-te-ão, quase sem reparares, à oração contemplativa. Brotarão da tua alma mais actos de amor, jaculatórias, acções de graças, actos de desagravo, comunhões espirituais. E tudo isto, enquanto te ocupas das tuas obrigações: ao pegar no telefone, ao subir para um meio de transporte, ao fechar ou abrir uma porta, ao passar diante de uma igreja, ao começar um novo trabalho, ao executá-lo e ao concluí-lo. Referirás tudo ao teu Pai Deus. (Amigos de Deus, 300 e 149)


Fonte: OPUS DEI

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Natividade de Maria Santíssima



Que a Santíssima Virgem Maria - neste dia da Sua Natividade - visite amorosamente e maternalmente todos quantos desejam seguir fielmente as pegadas do Redentor, segundo a Vontade de Deus; os cubra com o Seu manto imaculado de Mãe e os conduza até à eternidade... Amen.

Só dizendo «sim» a Deus, como Maria,
encontraremos a felicidade aqui e eterna.

Nossa Senhora Menina...


Este título mariano deriva da festa celebrada hoje, que é o nascimento da Santíssima Virgem Maria. Por amor a humanidade, o Criador quis enviar o seu Filho, encarnado como pessoa humana para redimir o pecado da Terra. Para ser a mãe terrena do seu Filho, escolheu Maria, e preparou seu nascimento.

A família escolhida foi a de Joaquim, um justo e próspero judeu, obediente à Lei mosaica. Sua esposa era Ana, mulher judia íntegra, humilde e com todas as qualidades espirituais necessárias. Este casal, já com idade avançada, não tinha ainda sido abençoado com um filho, por isso julgavam-se estéreis. Foi este o lar escolhido para a ação da Providência Divina de modo que a Virgem Maria nascesse.

Tudo o que se tem narrado sobre a infância da Mãe de Deus, vem da tradição oral cristã, e dos escritos da época, que não fazem parte do Evangelho. Exceto o que está no Evangelho de São Mateus. Nele explica que a infância de Maria foi acompanhada de infinitas graças concedidas por Deus, para evidenciar "quão grande ela seria daqui por diante".

Pela tradição, aos três anos de idade Maria foi entregue para viver com as outras virgens nos apartamentos do Templo. Em seguida os pais concluíram seu voto e ofereceram seu sacrifício conforme a lei, voltando para casa. Nos catorze anos que alí esteve Maria ficou sob os cuidados do Senhor, para ser preservada de todas as tentações do mal. Ao final destes anos Maria tinha a beleza da alma abundante de todos os dons.

As imagens que representam a Nossa Senhora Menina, ou Criança são incontáveis Em algumas está só rodeada pelos anjos, em outras ladeada pelos pais, Sant'Ana e São Joaquim, ou então com um deles. Mas todas mostram Maria que segura na mão seu livro da lei. Tudo para indicar a posição de educadores dos pais, na preparação da escolhida para ser a Mãe de Deus.

O culto mariano faz parte da tradição dos fieis oficializado pela Igreja, tanto do Oriente como do Ocidente. Maria é e será venerada por todos os séculos, porque Ela é a estrada que conduz à Cristo, o único caminho para o Reino de Deus. Os cristãos, a homenageiam com uma infinidade de títulos, para celebrar sua valorosa participação no Mistério de Deus.


Fonte: Paulinas